Quarta carta de Madre Teodora à superiora (terceira parte)
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A adaptação a um mundo novo revela também a grandeza na jovem religiosa, desprendida, capaz de superar as dificuldades emocionais e morais com impressionante confiança em Deus.

“Ah! boa Madre, ainda não tive o menor pensamento de vaidade, muito pelo contrário, ainda não havia tido ocasião de praticar atos de humildade tão verdadeiros. Nunca senti tão vivamente minha fraqueza e minha profunda miséria. Não é pouca coisa ser superiora de um estabelecimento como este. Seria preciso ter experiência, uma prudência consumada e, sobretudo, uma virtude a toda prova. Ai! boa Madre, a senhora sabe, melhor do que eu, que é justamente tudo isso que me falta. Meu único recurso está na bondade infinita de nosso Divino Salvador. Conto unicamente com a assistência de sua graça e com seus bons conselhos, que sempre farei como um dever e com prazer em seguir exatamente suas orientações assim como as de todos os meus superiores.
Quanto às minhas disposições interiores, dir-lhe-ei: 1º, no que diz respeito às tentações, aquelas que mais me preocupam não são as de uma certa espécie de que lhe falava na penúltima de minhas cartas. Embora todos os dias (ao sair) encontremos pessoas seminuas e estejamos muito expostas a esse tipo de tentações; coisa surpreendente, nunca tenho o menor pensamento desagradável desse lado. O que é mais admirável, ninguém mais ousa aparecer diante de nós sem estar decentemente vestido. A senhora vê, boa Mãe, que não tenho preocupação desse lado. Não acontece o mesmo com a tristeza, o tédio. Creio que isso se deve um pouco ao país, pois todos, sobretudo as pessoas do lugar, são inclinados à melancolia. A senhora compreende que não estou isenta disso, sobretudo quando mil e uma coisa vêm ainda me inquietar. Entretanto, boa Mãe, asseguro-lhe que se produziu em mim uma grande mudança. Muitas vezes, não compreendo de onde me vem uma calma tão grande, um abandono tão grande nas mãos da Providência. Vejo com sangue-frio coisas que antes teriam me perturbado. Todos os dias novos espinhos surgem mas também novas graças. Para poder santificar-me e fazer o bem em minha nova posição, é preciso que eu faça uma completa renúncia à minha maneira de ver, de agir, de pensar. É preciso que a natureza e o julgamento próprio sejam inteiramente colocados de lado. As ideias, os costumes das pessoas são tão diferentes dos nossos que, para adaptar-se a todos, é preciso, por assim dizer, refazer-se completamente. Assim, boa Mãe, quando a natureza e o amor-próprio ainda estão bem vivos, não é bom estar aqui. Quanto ao meu pobre amor-próprio, ai de mim! infelizmente ainda não morreu; de vez em quando, ainda se faz sentir; entretanto, como Nosso Senhor, em sua grande bondade, não o poupou este ano, ele está um pouco mais domado, graças a Deus. Se ele não tivesse sido tão duro, creio que já estaria inteiramente domado. Entretanto, muito querida Madre, como já lhe disse, sinto-me tão fraca, tão pequena, que os pensamentos de vaidade não vêm com frequência incomodar-me. Quanto à minha oração e aos outros exercícios espirituais, não tenho nada de particular.”