Quarta carta de Madre Teodora à superiora (quarta parte)
Questões de saúde e de convivência são o tema principal desta parte da carta de Madre Teodora à superiora em Chambéry. Mas também mostra os dissabores no ambiente externo, com os que eram contrários ao colégio, talvez, simplesmente, por não poderem arcar com as despesas para manter ali as filhas…
“De tempos em tempos, quando tenho boas tempestades do lado de fora, Nosso Senhor me consola um pouco pela unção de sua graça; mas meu pão cotidiano é, ordinariamente, a secura, o desgosto e a importunação das distrações.
Quanto à vida da Comunidade, agora tudo vai bem; sinto até uma sensível consolação quando considero o bom espírito que reina em todas as nossas Irmãs. O espírito de caridade, de humildade, de simplicidade, unido a uma doce alegria, faz da Comunidade um verdadeiro paraíso. Houve, é verdade, pequenas misérias, mas que existiram mais na aparência do que na realidade; pois o demônio já fez todos os seus esforços para dividir o interior da casa; agora tudo passou. A guerra está do lado de fora, declara-se abertamente; mas, minha boa Mãe, não se preocupe, pois vivemos muito tranquilas. O que provocou um pouco a raiva dos maus é a nossa mudança de casa; eles não conseguem suportar que a igreja mais bela, a mais rica, não somente da cidade, mas também da Província, passe para mãos estrangeiras. O que sobretudo enfurece o demônio é que nossa obra começa a encaminhar-se bem. Temos a simpatia das pessoas mais qualificadas do lugar. Um grande número daqueles que gritam contra são pessoas cuja fortuna, um pouco diminuída, não lhes permite fazer despesas tão consideráveis para colocar suas filhas em nossa casa; então, vingam-se de nós, insultando-nos de todas as maneiras. Teremos muito que sofrer (eu, sobretudo). Todas as pessoas de bom senso da cidade, aquelas que nos são mais apegadas, dizem-me isso todos os dias. Mas também acredito que nossa obra crescerá e até mesmo se expandirá muito. Isso acontecerá somente com o tempo e com muita dificuldade e sacrifícios; mas, minha boa Mãe, a senhora sabe melhor do que eu que as contradições e os sofrimentos são o selo da obra de Deus.
Não sofremos muito com o clima; o calor não é insuportável; no meio do dia, o sol é abrasador; mas, dentro da casa, quase não percebemos isso. As noites são sempre frescas e, nos dias de chuva, é preciso vestir-se razoavelmente bem. Essa circunstância do tempo faz com que a maioria das pessoas morra de doenças do peito. O resfriado é algo tão comum que causa espanto quando alguém não tosse. Nossas Irmãs, por mais de dois meses, gozam de boa saúde; Ir. Justina, por mais de dois meses esteve bastante cansada; eu estava até muito preocupada com sua saúde; agora, graças a Deus, ela está se recuperando. A Irmã Angelina também passou bastante tempo indisposta; atualmente, está melhor. Todas, de modo geral, parecem contentes e bem-dispostas; bendigo a Deus por isso.”
Irmã Luiza Rodrigues I.S.J.
Luís Roberto de Francisco

