Quarta carta de Madre Teodora à superiora (segunda parte)
Os primeiros tempos do colégio Patrocínio estão aqui, a grandeza de uma superiora cheia de delicadezas e escrúpulos para dirigir sem magoar, ao mesmo tempo que conta com pequena comunidade cheia de dificuldades de adaptação ao Brasil.
“O pobre superior tinha costas largas. Por outro lado, minha chegada inesperada causava um pequeno tumulto, embora, no entanto, eu tivesse sido recebida com uma bondade toda paternal. O Frei Eugênio, por sua vez, nada poupou para suavizar os dissabores; levou mesmo suas atenções tão longe que fiquei coberta de confusão.
Volto ao assunto: o Frei Eugênio, vendo com sua prudência habitual que, se eu tomasse então o comando da casa sem conhecer a língua, sem compreender bem o terreno em que pisaria, haveria em pouco tempo, de todas as partes, prevenções contra mim e que, no momento atual, eu não poderia mais suportar o pesado fardo que, apesar de todos os abrandamentos, ainda está muito acima de minhas forças. A boa Irmã Justina foi a vítima sobre a qual todos os golpes recaíram, enquanto eu, criança mimada, vivia em tranquilidade, sem preocupações, seguindo os conselhos do bom Frei Eugênio, às custas dos outros. A senhora vê por aí, boa Mãe, quais foram os motivos que levaram nossos superiores daqui a adiar por algum tempo a execução de suas vontades. Agora tudo vai bem, ou pelo menos está bem encaminhado.
Estamos finalmente, em nossa casa embora ela ainda não esteja inteiramente terminada. Aqui, é preciso sempre ter paciência. As coisas são feitas com o tempo e sempre muito lentamente. Não temos, entretanto, do que nos queixar, não estamos tão mal instaladas. Na carta que acompanha esta, e que poderá ser lida em Comunidade, dou-lhe todos os detalhes que podem interessá-la, seja a respeito de nossa casa, seja a respeito de nossa festa e de diferentes outras coisas.
O bispo acaba de enviar por escrito minha nomeação, ou melhor, a confirmação daquilo que a senhora mesma havia determinado. O Pe. Eugênio partia de São Paulo para vir a Itu, executar as ordens do bispo no momento em que recebeu uma carta que a senhora lhe escreveu sobre o mesmo assunto. Ai de mim! boa Madre, a senhora vê que, querendo ou não, é preciso que eu curve os ombros sob este fardo que eu temia mais do que a morte. Asseguro-lhe que, para mim, foi um golpe fulminante, embora, eu já o esperasse. Eu sabia que a coisa deveria acontecer, mas ignorava completamente quando. Nossos superiores, vendo que isso me afligia tanto, esconderam-me isso, e eu, de minha parte, não procurava de modo algum saber. Dir-lhe-ei, portanto, e para minha vergonha, que fiz tudo o que era possível junto ao bispo e ao Frei Eugênio para me livrar da cruz. Foi somente a obediência que me silenciou. Não podendo mais duvidar da vontade de Deus, submeti-me enfim, adorando em silêncio os desígnios da Providência. Foi no dia 12 de novembro que recebi (certamente tremendo e derramando muitas lágrimas aos pés de Nosso Senhor), do bom Frei Eugênio, as ordens do bispo.”
Irmã Luiza Rodrigues I.S.J.
Luís Roberto de Francisco

