Primeira carta de Madre Teodora à superiora (última parte)
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Na última parte da primeira carta da Venerável Maria Teodora Voiron no Brasil, ela revela à superiora, em Chambéry, os primeiros personagens da história da sua chegada ao Rio de Janeiro, as Irmãs Vicentinas, os amigos da Congregação e os sacerdotes. Sobretudo, deixa transparecer a hostilidade pelo trabalho que vieram desenvolver no Brasil.

O hospital da Misericórdia iguala-se em tamanho ao grande hospital de Lyon; mas o supera muitas vezes: em beleza e em riquezas de todo tipo; a capela é uma miniatura onde os dourados abundam por toda parte; nunca tinha visto nada tão belo; o restante da casa é semelhante.
Assim, anunciamos nossa chegada ao Reverendo Padre Eugênio que, segundo uma carta que nos aguardava, deve vir nos buscar em Santos com o Padre A. Goud. Não partimos do Rio senão no dia 6 do próximo mês. Isso nos contraria um pouco, mas é preciso aprender a ir contra o que nos agrada. Afinal, minha boa Mãe, aqui mais do que em qualquer outro lugar, só se faz o bem com muita dificuldade; a vinha do Senhor está toda eriçada de espinhos, só se pode cultivá-la ferindo-se.
Uma coisa que aprendi no Rio e que me deu grande alegria, porque é uma prova de que nossa missão é obra de Deus, é que os maus começam a nos insultar; não será aqui, como aí, senão no meio das perseguições que faremos o bem. É agora, de fato, que sinto minha fraqueza; mas tenho uma coragem que, sem dúvida, vem somente de Deus. Conto unicamente com a graça, o socorro do Céu, vossos conselhos e vossas santas orações. É esse abandono à Divina Providência que constitui toda a minha força.
Ousarei, minha boa Mãe, pedir-lhe que eu possa cumprimentar o Sr. Bispo, ao Sr. Superior, ao Sr. Capelão; reservo-me escrever-lhe assim que tiver chegado a Itu.
Também não esqueço todas as nossas queridas Irmãs; suas fervorosas orações me fazem tanto bem; suplico-lhes, por toda a caridade de Nosso Senhor, que pensem sempre nos pobres missionários do Brasil, sobretudo quando, todas reunidas na pequena capela, derramam seus corações aos pés do Divino Salvador.
Eu esquecia de lhe dizer, minha boa Mãe, que já recebemos a visita de várias pessoas: Sr. Bernasconi, Sr. Bonjean, a pretendente que nossas Irmãs haviam encaminhado (ela conserva grande estima por todas as nossas Irmãs). Parece que eles vão bastante bem. O Sr. Superior Geral das Irmãs de São Vicente, a quem nos dirigimos, também veio nos fazer uma visita. Enfim, ainda tenho muitas coisas a lhe dizer que reservo para a próxima carta.
Aguardo com impaciência notícias suas. Diga-nos, boa Mãe, o mais breve possível, como vai a sua saúde, se a estão perseguindo; dizem-nos tantas coisas ruins da Europa que estou verdadeiramente inquieta.
Perdoe-me, minha boa Mãe, se termino minha carta tão pouco respeitosamente. Digne-se abençoar sua boa, boa e cada vez mais querida Mãe.
Sua obediente filha, assinado:
Irmã Maria Teodora