Primeira carta de Madre Teodora à superiora (parte 2)
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Na continuidade da primeira carta da Venerável Maria Teodora Voiron à superiora, ela fala de seus companheiros de viagem, Frei Generoso, capuchinho francês, professor do Seminário, em São Paulo e Irmã Serafina. Trata das dificuldades da travessia e a sua profunda confiança em Deus.

Enfim, durante 52 dias que permanecemos no mar, estivemos quase continuamente face a face com a morte. Dir-se-ia que todo o inferno se desencadeava contra nós para nos impedir de chegar; sobretudo perto do Cabo Frio, estivemos prestes a perecer, e permanecemos mais de quatro dias a girar ao redor, sem poder avançar; o vento, em vez de nos ser favorável, empurrava-nos para longe do Rio. Todos começavam a se inquietar; o Sr. Capitão, que fazia pela oitava vez a viagem, jamais tinha visto uma travessia semelhante.
Mas, minha boa Mãe; que força e que coragem se tem quando todos os apoios humanos faltam! O Rev. Padre e a Irmã Serafina estiveram quase sempre enjoados; esta última sentiu o mal do mar desde o primeiro dia e permaneceu de cama, vomitando continuamente durante as duas primeiras semanas; o restante da travessia foi um pouco melhor. Quanto ao mais, no que diz respeito à sua conduta, excetuando algumas faltas próprias da fragilidade, fiquei muito contente com ela; ela sempre me falou com muita franqueza de suas pequenas dificuldades passadas e presentes, que procurei aliviar o melhor possível. Espero que tudo vá bem; além disso, a senhora verá suas boas disposições na carta que ela lhe escreve e que eu não vi.
Ainda não lhe disse nada do bom Frei Generoso, que teve por nós uma solicitude que não se pode exprimir; ele se ocupava sem cessar em nos distrair, em nos consolar, mas sempre com uma reserva verdadeiramente religiosa. Sua saúde, porém, me inquietou bastante; ele esteve muito enjoado durante a travessia; agora está bastante bem. A Irmã Serafina também; nem um nem outro são muito amigos do mar.
Quanto a mim, minha boa Mãe, creio que o Bom Deus realmente me fez para o Brasil; o mar quase não me incomodou; só tive enjoo durante os três ou quatro primeiros dias; e, durante toda a travessia, tive apenas algumas leves indisposições ocasionadas pelos calores excessivos da zona tórrida. As tempestades, as montanhas de água, os tempos mais assustadores, nada me amedrontava; eu tinha uma coragem que, certamente, só podia vir do alto. Quando o futuro vinha me inquietar, ao ver minhas duas companheiras de viagem doentes, e que o mar ameaçava nos engolir em suas ondas, um pensamento de confiança, de abandono à Providência vinha reanimar minha alma.
Quantas vezes pensei naquilo que a boa Irmã Maria Francisca me dizia antes de minha partida: “que, quando se está longe da Comunidade, sente-se de modo muito particular os efeitos das orações que nossas Irmãs fazem por nós.” Oh! sim, boa Mãe, reconheci bem que a senhora pensava em seus filhos. Não posso lhe dizer quantas graças, quantas consolações minha alma recebeu, por assim dizer, em abundância durante essa travessia.

Irmã Luiza Rodrigues I.S.J.
Luís Roberto de Francisco