Tristão, escritor n’A Federação

Em 1907, Tristão Mariano já aposentado como professor, passou a escrever n’A Federação, pensador dado ao clericalismo, diferente do que fora na juventude, escrevendo no Almanaque Literário de São Paulo. Se mudou o ponto de vista, não variaram as temáticas das matérias: escrevendo sobre Itu, biografias de pessoas que considerava significativas, a história das instituições, estética musical e influência da música sobre as emoções, bem ao gosto do movimento romântico do período no Brasil. Escreveu também sobre os músicos ituanos, intérpretes e compositores. Era um intelectual afeito ao passado de Itu, que escrevia sobre quem o impressionou, tendo conhecido ou não.
As matérias foram: Influência da Música (5 partes); Barão de Itaim (publicado duas vezes); O Convento de São Francisco (duas matérias). Padre Bento Dias Pacheco; A escola; Procissão de Passos (2 partes); O artista e o ideal (3 partes); Liberdade; O sacerdote (2 partes); O amor da Pátria (8 partes); O chá.
Entre março e abril, as matérias sobre o Barão de Itaim e o Padre Bento Dias Pacheco foram as primeiras com dados biográficos sobre eles, tendo por pano de fundo a caridade.
Importante contribuição à história do Convento Franciscano saiu em 24 de fevereiro lamentando o incêndio que, alguns dias antes, consumiu aquele edifício. Tristão sugeriu, corajosamente, que foi incêndio criminoso, de interesses comerciais sobre o antigo prédio.
Na matéria sobre a “Procissão de Passos”, discorre sobre a contemplação da via crucis de Jesus, revelando notável conhecimento da história sagrada e aspectos da teologia moral.
Uma longa matéria intitulada “O amor da pátria” foi publicada entre setembro e novembro de 1907, dividida em oito edições do jornal, a maior de todo o conjunto que escreveu. Inicia relacionando os diversos povos ao gosto que devem ter pela terra em que nasceram; aborda relações sociais, configurando que os mais próximos no espaço têm maior vínculo entre si. Porém, conceitua essa proximidade não pelo contexto da cidadania, mas da interpretação que faz das palavras do Evangelho: constrói uma hierarquia de amor, passando dos mais próximos aos mais distantes na fé. Finalmente critica a Revolução Francesa na redução do papel da religião: “Diminuindo o sentimento religioso, o povo se corrompe e se embrutece a cada dia mais.” (A FEDERAÇÃO, 27.10.1907). Na matéria seguinte, trata dos verdadeiros patriotas, os que fazem caridade; discorre alguns nomes da França do século XIX e chega a Itu, para tratar dos padres Antonio Pacheco da Silva e Bento Dias Pacheco, entre outros, apóstolos da caridade no hospital de hansenianos. (A FEDERAÇÃO, 10.11.1907).
Em seu artigo sobre a liberdade, discutiu os seus limites em uma sociedade, valorizando os princípios morais. Quando trata do sacerdote, revela o seu respeito e ponto de vista sobre o quão fundamental o considera à sociedade.
Por fim, inicia uma matéria para descrever a antiga produção de chá em Itu e sua relação com a economia e sociedade, mas não continua, ceifado pela morte.


