Proximidade das eleições

Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)
Para a Igreja, o povo brasileiro precisa participar das eleições de 2026 com maior consciência e responsabilidade. É compromisso da política promover a justa ordem do Estado e da sociedade. Isso não significa que a Igreja deva substituir o Estado na organização da vida política, nem assumir para si essa missão. Sua contribuição consiste em oferecer formação ética e critérios de discernimento que auxiliem os cidadãos a tomarem decisões coerentes e responsáveis.
Não podemos perder de vista a importância da ética na política e na administração pública. O que está em jogo é a defesa da dignidade da pessoa humana e da vida. A ação política deve estar a serviço da paz, da justiça e da solidariedade. Isso somente será possível se todos colaborarem no combate à corrupção eleitoral. Campanhas desleais, compra de votos e o uso da máquina pública para fins eleitorais são práticas imorais e contrárias à ética.
Nas eleições de 2026, escolheremos o Presidente da República, os Governadores dos Estados, os Senadores, os Deputados Federais e os Deputados Estaduais. Aos eleitos caberá a responsabilidade de conduzir os destinos do país e de seus estados. Por isso, o exercício do voto exige de todos nós profundo senso de responsabilidade. Vale recordar a conhecida frase: “O voto não tem preço; ele tem consequências”, que podem ser positivas ou profundamente prejudiciais para toda a sociedade brasileira.
Não podemos colocar em risco as esperanças do povo. Somos constantemente desafiados pelos inúmeros escândalos que atingem a vida pública. Nesse contexto, tornam-se atuais as palavras do Papa Bento XVI na encíclica Deus Caritas Est (Deus é Amor), na qual aborda a dimensão política da caridade cristã. Para ele, o compromisso político também faz parte da vocação do cristão, que tem o dever de trabalhar pela construção de uma ordem social mais justa.
O cristão é chamado a participar da vida pública e, quando exerce funções legislativas ou administrativas, deve fazê-lo sempre em favor do bem comum. A Igreja não assume posições partidárias, mas procura formar as consciências dos fiéis. Ela não deve ocupar o lugar do Estado, nem permanecer indiferente diante da luta pela justiça. Em outras palavras, cabe ao Estado organizar a vida política; à Igreja compete iluminar as consciências à luz do Evangelho. Por isso, o voto deve ser exercido com discernimento, responsabilidade e compromisso com o bem comum.
Vivemos, ainda, os grandes desafios decorrentes das políticas econômicas e sociais adotadas em nosso tempo. Muitas vezes, a sociedade sofre as consequências de modelos que aprofundam as desigualdades, favorecem a exclusão social e contribuem para o aumento da violência e do crime organizado. Somente uma vida política pautada pela ética, pela responsabilidade e pelo compromisso com a justiça poderá renovar a esperança e contribuir para a construção de um país verdadeiramente democrático, solidário e comprometido com a dignidade de todos.




