Maria e a missão de levar  Cristo ao mundo
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por Diác. Tadeu Italiani

Quando o Papa Francisco falou de uma “Igreja em saída”, ele recorda à comunidade cristã que o Evangelho não pode permanecer fechado dentro das paredes dos templos ou limitado a práticas religiosas sem compromisso com a vida. A Igreja nasce da missão e existe para evangelizar. Nesse caminho missionário, Maria apresenta-se como o modelo perfeito de discípula missionária. E talvez nenhum episódio revele tão claramente essa dimensão quanto a Visitação, narrada no Evangelho de São Lucas (Lc 1,39-56).
Logo após receber o anúncio do anjo e acolher com fé o projeto de Deus, Maria não permanece fechada em si mesma. O Evangelho afirma que ela “partiu apressadamente” para a região montanhosa, indo ao encontro de sua prima Isabel. Este detalhe é profundamente significativo. Maria não guarda a graça recebida apenas para si. Quem encontra verdadeiramente Deus sente a necessidade de colocar-se a caminho, sair de si mesmo e ir ao encontro do outro.
A Visitação é, portanto, um gesto profundamente missionário. Maria torna-se a primeira missionária do Novo Testamento, levando Jesus ainda em seu ventre para a casa de Isabel. Antes mesmo de nascer, Cristo já é anunciado pela presença silenciosa e amorosa de sua Mãe. Aqui encontramos uma grande lição para a evangelização dos nossos tempos: muitas vezes, a primeira forma de anunciar o Evangelho não acontece através de discursos, mas pela presença, pela proximidade e pelo serviço.
Vivemos numa sociedade marcada pelo individualismo, pela pressa e pela indiferença diante da dor humana. Muitas pessoas sentem-se abandonadas, invisíveis e sem esperança. A atitude de Maria desafia diretamente esta realidade. Ela percebe a necessidade da prima idosa e não hesita em sair para ajudá-la. Evangelizar é também isso: reconhecer as necessidades do próximo e fazer-se presença concreta na vida de quem sofre.
A Igreja em saída, tão desejada pelo Papa Francisco, encontra na Visitação um de seus mais belos ícones. Não se trata apenas de uma Igreja que realiza atividades ou promove eventos, mas de uma Igreja que se aproxima das pessoas, que vai às periferias humanas e existenciais, que sabe escutar, acolher e servir. Maria não vai à casa de Isabel para ocupar espaço ou ser servida; ela vai para ajudar. A missão nasce da caridade.
Outro aspecto profundamente belo da Visitação é a alegria que nasce do encontro. Quando Maria saúda Isabel, João Batista exulta no ventre da mãe, e Isabel, cheia do Espírito Santo, reconhece a presença do Salvador. O Evangelho gera alegria verdadeira. Uma comunidade cristã fechada, desanimada e sem entusiasmo missionário contradiz o próprio Evangelho que anuncia.
Maria também ensina que a missão exige prontidão e disponibilidade. O texto bíblico diz que ela partiu “apressadamente”. Não houve comodismo, desculpas ou adiamentos. O amor verdadeiro coloca-nos em movimento. Muitas vezes, nossas comunidades correm o risco de cair numa pastoral excessivamente burocrática, preocupada apenas com estruturas e rotinas. A Visitação recorda que a evangelização exige coração disponível, sensibilidade e disposição para caminhar ao encontro dos outros.
Além disso, Maria leva consigo não apenas palavras, mas a própria presença de Cristo. Eis a essência da missão evangelizadora: não anunciar ideias vazias, mas testemunhar uma experiência viva com Jesus. O missionário não leva apenas ensinamentos; leva esperança, acolhida, misericórdia e amor.
O Magnificat, proclamado por Maria após o encontro com Isabel, reforça ainda mais o caráter social e libertador da evangelização. Maria louva a Deus porque Ele olha para os humildes, derruba os poderosos de seus tronos e socorre os pobres. A missão da Igreja não pode ser indiferente às dores humanas, às injustiças e ao sofrimento do povo. Evangelizar também significa promover dignidade, fraternidade e vida plena.
Num mundo ferido por divisões, violências e desesperança, Maria continua sendo modelo de uma Igreja próxima, servidora e missionária. A Visitação nos recorda que o discípulo verdadeiro não permanece parado. Quem carrega Cristo no coração torna-se presença de esperança na vida dos irmãos.
Que Nossa Senhora nos ensine a sermos uma Igreja em saída: menos preocupada consigo mesma e mais comprometida com o serviço, a acolhida e o anúncio do Evangelho. E que, como Maria, saibamos partir apressadamente ao encontro daqueles que mais necessitam da presença amorosa de Deus.