Terceira carta de Madre Teodora à superiora (última parte)
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A finalização desta carta é outro ponto importante a revelar a santidade da Irmã Maria Teodora. Ela escreve como superiora, como responsável nomeada, tratando de questões administrativas da comunidade, ao mesmo tempo em que mostra-se indiferente ao cargo, aguardando as decisões do bispo; trata das mazelas enfrentadas ao mesmo tempo que demonstra impressionante confiança na Divina Providência. Era uma jovem de 24 anos, no auge das forças, vivendo em terra estrangeira, lutando contra a própria vaidade do poder. Revela ainda que, no tempo em que foi colocada à prova, lecionava às meninas negras, uma ação social-educativa inesperada ao seu projeto de dirigir um internato privado, para jovens filhas de fazendeiros, para educá-las à moda francesa, preparando-as para a vida adulta em uma sociedade que se transformava nos costumes e nos valores.
Este documento inédito, relevado pela primeira vez, impressiona pela grandeza dos propósitos da missão dessas francesas e o contexto místico que envolve as primeiras Irmãs de São José sob o exemplo de Madre Teodora.

“Penso, boa e sempre mais querida Mãe, que a senhora recebeu cartas do bispo e do Padre Eugênio que lhe fizeram ver que as coisas se arranjaram bem diferentemente do que pensava. Não posso lhe dizer nada de certo sobre este ponto; ignoro completamente as intenções de meus Superiores e não procuro conhecê-las. Não sei o que Deus quer fazer de nós, eu me abandonei ao seu bel prazer, aguardando pacificamente o cumprimento de sua santa vontade. Não estou muito a me queixar; ocupo-me da língua e do cuidado de minhas pequenas negrinhas; por enquanto, não tenho mais preocupações do que uma noviça. Eu tinha grande necessidade disso, boa Mãe, para me refazer um pouco no espírito religioso. As longas viagens sempre dissipam a alma. Está-se tão bem em nossa pequena Comunidade de Itu; a caridade de Nosso Senhor une todos os corações, ou ao menos todos aqueles que querem caminhar generosamente no seguimento de Nosso Senhor. Eu lhe explicarei essa restrição no pequeno bilhete que acompanha minha carta, mas permita-me dizer-lhe, boa Mãe, que os corações demasiado ávidos da afeição das criaturas, os corações para os quais Deus só não basta, nada valem aqui. Esse tipo de pessoas aqui não terá logo um cargo que já tem tantas relações, correspondências e conhecimentos quanto tinham em Chambéry. Penso que a senhora compreende de quem quero falar; sem isso, a Comunidade seria um verdadeiro paraíso.
Perdoe-me, boa Mãe, tudo o que lhe digo, sem ordem e às vezes com demasiada liberdade; espero que a senhora tenha a bondade de não poupar meu amor-próprio. Receberei tudo o que a senhora quiser dizer-me como vindo da própria boca de Jesus Cristo. Meu maior contentamento será executar escrupulosamente a menor de suas vontades.
Digne-se aceitar (ousarei dizer, minha sincera afeição), meu profundo respeito e dar-me sua doce bênção, minha boa Mãe.
Sua muito indigna filha, assinado: Irmã Maria Teodora.”