Eleições 2026
Compartilhe

Dom Pedro Cipollini
Bispo de Santo André (SP)

No próximo dia 4 de outubro, teremos a oportunidade de exercer nossa cidadania por meio do voto, uma responsabilidade de todos. É por meio dele que escolhemos os legítimos representantes para governar e legislar em benefício do povo, a fim de que cada cidadão tenha a oportunidade de crescer, desenvolver-se e viver com dignidade e em paz.
A Igreja não pode nem deve tomar em suas próprias mãos a batalha política para construir a sociedade mais justa possível. Não pode nem deve colocar-se no lugar do Estado, mas também não pode nem deve permanecer à margem da luta pela justiça. A Igreja não tem partido nem ideologia e não obriga os fiéis a votar em determinados candidatos.
Segundo a Igreja, a atividade política, em seu sentido estrito, não compete à hierarquia, mas é própria dos leigos. Por ser a política uma arte nobre, e não apenas uma atividade de natureza técnica, os cristãos que já estão preparados ou podem se tornar aptos para essa difícil missão devem buscar a formação necessária para exercê-la, tendo em vista o bem comum dos cidadãos.
A esse respeito, o papa Leão XIV recordou que o político cristão deve ser coerente com os princípios do cristianismo, agindo e tomando decisões em conformidade com a própria fé no exercício de suas responsabilidades públicas.
Assim, a Igreja tem o dever de orientar os fiéis para que participem democraticamente do processo político-eleitoral, com consciência, liberdade e responsabilidade. Cabe-lhe também apresentar critérios éticos e morais que devem ser considerados no momento da escolha dos candidatos aos cargos públicos.
Por isso, na hora de decidir o voto, é importante que o eleitor tenha em mente alguns pontos que possam orientar sua escolha. Afinal, como se costuma dizer, o voto não tem preço, mas tem consequências. Ele jamais deve ser negociado ou anulado.
O voto deve ser consciente, livre e responsável, e não uma troca de favores. Quem vende o voto contribui para a corrupção e tem a mesma parcela de culpa daqueles que o compram. A Igreja propõe, portanto, que o eleitor procure conhecer seu candidato.
Constitui antiga tradição da Igreja no Brasil divulgar, por ocasião das eleições, orientações aos eleitores para ajudá-los na escolha consciente dos candidatos. É o que a Diocese de Santo André está fazendo ao promover encontros de oração e reflexão, com o auxílio de um livreto preparado por uma equipe diocesana.
As respostas a algumas perguntas podem orientar o eleitor nesse discernimento: qual é o histórico de vida do candidato? Quais são suas ideias e propostas para a família, a saúde, a educação, o meio ambiente, o combate à violência e ao crime organizado? Seus projetos estão voltados para o bem comum ou apenas para interesses pessoais e de determinados grupos? Seu nome está envolvido em denúncias de corrupção ou em escândalos éticos e morais? Ele defende a democracia, a liberdade de expressão, o respeito às convicções religiosas e a livre manifestação da fé?
A responsabilidade do eleitor não termina com a eleição e a posse dos candidatos eleitos, mas se estende por todo o mandato. No exercício dos direitos e deveres próprios de cada cidadão, compete-lhe acompanhar o desempenho, as ações e as decisões políticas e administrativas daqueles que foram escolhidos para governar e legislar no país, no estado e no município onde vive.
Cabe também ao cidadão exigir dos eleitos coerência e o cumprimento dos compromissos assumidos durante a campanha eleitoral. O objetivo final deve ser a construção de uma sociedade justa e pacífica, na qual haja lugar e dignidade para todos.