Maternidade: o lado feminino de Deus

Falar da maternidade é tocar um dos mistérios mais profundos da criação. Desde os primeiros capítulos da Bíblia, Deus manifesta seu amor através do cuidado, da ternura e da capacidade de gerar vida. Embora Deus esteja acima das limitações humanas e não seja homem nem mulher, a Sagrada Escritura utiliza também imagens maternas para revelar aspectos de Seu amor infinito. O profeta Isaías escreve: “Pode a mãe esquecer-se do filho que ainda mama? Ainda que ela se esquecesse, Eu jamais me esquecerei de ti” (Is 49,15). Em outra passagem, Deus afirma: “Como a mãe consola o filho, assim Eu vos consolarei” (Is 66,13).
A maternidade é, portanto, um reflexo do próprio coração de Deus. A mulher que acolhe, protege, alimenta, consola e educa participa de maneira especial da obra divina da criação. São João Paulo II, na encíclica Mulieris Dignitatem, ensinava que “a maternidade contém em si uma comunhão especial com o mistério da vida”. O Papa polonês também afirmou que a sociedade possui uma dívida imensa para com as mães, muitas vezes silenciosas em seus sacrifícios cotidianos.
O Papa Francisco já declarou diversas vezes que “as mães são o antídoto mais forte contra a difusão do individualismo egoísta”. Segundo ele, é no colo da mãe que a criança aprende as primeiras lições de amor, confiança e fé. Bento XVI também destacou que “a experiência da maternidade revela à mulher uma vocação singular ao amor e ao serviço da vida”.
A Igreja sempre enxergou na maternidade uma missão sagrada. Santa Teresa de Calcutá dizia que “o amor começa em casa”, lembrando que muitas mães evangelizam sem púlpito, apenas com o testemunho de dedicação diária. Santa Gianna Beretta Molla, médica, esposa e mãe, entregou a própria vida pela filha ainda no ventre, tornando-se um dos maiores símbolos modernos do amor materno cristão. Já Santo Agostinho reconhecia que sua conversão teve origem nas lágrimas e orações perseverantes de sua mãe, Santa Mônica.
Não é exagero afirmar que muitas mães sustentam espiritualmente suas famílias. Quantas rezam escondidas pelos filhos, quantas sofrem em silêncio, quantas renunciam aos próprios sonhos para ver seus filhos crescerem! Existe algo profundamente divino nesse amor que se doa sem esperar recompensa. O Catecismo da Igreja Católica recorda que o quarto mandamento — “Honrar pai e mãe” — mostra a grande dignidade concedida por Deus à missão dos pais.
E acima de todas as mães está Maria Santíssima. Nossa Senhora é a Mãe das mães, exemplo perfeito de ternura, fortaleza e fidelidade. Aos pés da Cruz, Jesus entregou Maria à humanidade inteira quando disse ao discípulo amado: “Eis aí tua mãe” (Jo 19,27). Desde então, toda mãe encontra nela inspiração e consolo.
Neste mês dedicado às mães, somos convidados a agradecer por aquelas que nos deram a vida, a fé e o amor. E aproveitamos também para convidar os leitores a acessarem o canal Portal Amém no YouTube para escutar uma emocionante música sobre as mães, de autoria do Padre Sala, preparada com carinho em homenagem a todas elas.
Que Maria Santíssima abençoe cada mãe, viva ou já falecida, e que jamais percamos a capacidade de reconhecer, no amor materno, um reflexo do próprio amor de Deus.
Amém!




