As dimensões de um Centro Artístico

As revoluções de Pe. Miguel
A famosa e importante renovação feita pelo estupendo mecenas Pe. Miguel Corrêa Pacheco nos faz ver uma figura que precisamos refletir mais, no contexto de sua época.
Na metade do século XIX, a França exercia grande influência cultural e é pretexto de muitas inovações, mesmo se em certas ocasiões sejam bem desastrosas.
O galicanismo e o jansenismo eram bastante influentes e tentaram, também, os francêses, desmistificar todo o complexo do edificio sacro. A igreja deixa de ser o «centro artístico», fazendo nascer, assim, o museu como o novo templo da arte. Não vale mais o «artesão», porém, o «gênio», iniciando o mercado livre da arte. A reviravolta do momento faz a burguesia «trocar de papel» e se estrutura como base da nova sociedade e do Estado.
Pe. Miguel procurou e conseguiu que a sua Matriz retomasse seu papel na sociedade. Ele, então, fez uma extravagância necessária: a sua viagem internacional. Isso mudou e marcou a vida da pequena, regionalista e economicamente forte Itu. Pois, a fama de Itu se contrapõe ao tamanho de seu nome.
Recuperará a dimensão arquitetônica com Ramos de Azevedo na fachada e na restruturação externa da Candelária, mesmo se destruindo a característica e original fachada colonial. O restauro e a finalização de alguns altares e a sua douração. A dimensão das artes plásticas tem novo ar com uma reorganizção das obras de Jesuíno, com o novo gosto que nos traz Almeida Júnior da Belas-Artes de Paris, e Lavinia Cereda no seu estilo estático. As esculturas, algumas já presentes, como a maravilhosa imagem da Imaculada Conceição presenteada por D. Pedro I. O famoso e interessante São José de botas, que infelizmente está exposto no Museu de Arte Sacra de São Paulo, longe da continuidade memorial, cultural e formativa das novas gerações de ituanos. A Liturgia e a Doutrina começam a tomar asas diferentes, em um Império que começa seu declínio (lembro o problema do Padroado no Brasil), e desse modo os Decretos do Concilio de Trento e do Vaticano I (1869), muito lentamente começam a ser aplicados na doutrina católica. E Pe. Miguel teve a ajuda dos jesuítas com a chegada da Missão Romana e a fundação do Colégio São Luiz. Desde 1867 a sociedade ituana toma novo fôlego e animo no comportamento religioso. Se retoma a frequência à Igreja e aos Sacramentos da parte dos fiéis que se afastaram e a defesa dos princípios cristãos. Se apresenta uma reelaboração da cultura católica dentro do quadro das perspectivas ituanas. Assim, as Confrarias e Irmandades reorganizadas e criadas, são novos apoios à vasta Paróquia de Nossa Senhora da Candelária.
A torre campanária ganha novos sinos, com os brasões do Império, que renovam o «tocar as horas» e medir cada minuto do quotidiano ituano com o novo relógio Cartier.
Itu, prestigiosa na Colônia (Bandeirantes), no Império (Fidelíssima) e na República (Partido Republicano), fazia parte da então vastissima Diocese de São Paulo, cujo primeiro bispo brasileiro e terceiro da diocese foi um filho de Itu, D. Antonio Joaquim de Mello.
Até a próxima!


