A felicidade que o mundo não pode dar
por Diác. Tadeu Italiani
As Bem-Aventuranças estão entre as palavras mais conhecidas e, ao mesmo tempo, mais desconcertantes de Jesus. Ele proclama “felizes os pobres em espírito, os que choram, os mansos, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os puros de coração, os que promovem a paz e os perseguidos por causa da justiça.” (cf. Mt 5,1-12).
A lógica do mundo parece dizer exatamente o contrário. Feliz seria quem possui muitos bens, alcança prestígio, não enfrenta problemas e consegue satisfazer todos os seus desejos. Jesus, porém, apresenta uma felicidade que não depende do dinheiro, do sucesso, do prazer ou da ausência de dificuldades. É uma felicidade que nasce da comunhão com Deus.
Em seu livro “É bom crer em Jesus”, o padre José Antonio Pagola recorda que as Bem-Aventuranças invertem nossa compreensão habitual da felicidade. Para ele, “a felicidade não é algo fabricado, mas presente de Deus”. Ela não é produzida pelo esforço dos pobres ou dos que choram, mas acontece porque essas pessoas colocam Deus no centro de suas vidas.
Isso não significa que a pobreza, a perseguição ou o sofrimento sejam bons em si mesmos. Jesus não glorifica a dor nem pede que permaneçamos indiferentes diante da injustiça. As lágrimas continuam sendo lágrimas; a doença continua exigindo cuidado; a pobreza precisa ser combatida; e a injustiça deve despertar nossa indignação e nosso compromisso.
A promessa de Cristo é outra: nenhuma dor vivida com Deus precisa conduzir ao desespero. Mesmo quando as circunstâncias externas não mudam imediatamente, a presença do Senhor pode sustentar, consolar e abrir um horizonte que o sofrimento não consegue destruir.
Bento XVI ensinou que “não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o homem”. O caminho cristão consiste em atravessar a provação unido a Cristo, encontrando nela um caminho de amadurecimento e esperança.
Aceitar os desígnios de Deus não significa pensar que todo sofrimento tenha sido diretamente enviado por Ele, nem assumir uma atitude passiva diante do mal. Significa confiar que Deus permanece conosco, mesmo quando não compreendemos seus caminhos. É entregar-lhe nossa vida, continuar praticando o bem e acreditar que sua providência pode fazer brotar vida até mesmo daquilo que parecia perdido.
Papa Francisco resumiu essa experiência ao afirmar que “a felicidade autêntica consiste em estar com o Senhor e viver por amor”. As Bem-Aventuranças não prometem uma vida confortável, mas revelam uma existência plenamente orientada pelo amor.
Também o Papa Leão XIV recorda que “só em Deus os mansos, os misericordiosos e os puros de coração encontram alegria”. Para quem acredita que a felicidade pertence apenas aos ricos e poderosos, as palavras de Jesus parecem uma ilusão. Contudo, o Evangelho revela que a verdadeira ilusão está em esperar que os bens terrenos possam preencher completamente o coração humano.
A felicidade cristã não é euforia permanente. É uma serenidade profunda, que pode coexistir com lágrimas, incertezas e provações. É saber que somos amados, acompanhados e esperados por Deus. É conservar a esperança quando a vida parece escura. É continuar amando quando seria mais fácil fechar o coração.
As Bem-Aventuranças não nos convidam a procurar o sofrimento, mas a descobrir que nem mesmo o sofrimento pode nos separar do amor de Deus. Quem confia no Senhor talvez não tenha uma vida sem cruzes, mas encontra uma razão para continuar caminhando. Afinal, a felicidade que Jesus oferece não é apenas terrena e passageira: é o próprio Deus habitando em nós e conduzindo-nos à plenitude de seu Reino.




