Quando os reinos passam, o Reino permanece
por Diác. Tadeu Italiani
Ao longo da história, muitos impérios acreditaram que seriam eternos. Reis, governantes e poderosos imaginaram que sua autoridade jamais seria contestada e que suas obras permaneceriam para sempre. Entretanto, o tempo passou, os tronos ficaram vazios, os monumentos se transformaram em ruínas e os nomes daqueles que pareciam invencíveis tornaram-se apenas registros nos livros. O poder humano é passageiro. Somente o Reino de Deus permanece.
Neste Mês da Bíblia, a Igreja no Brasil nos convida a conhecer e aprofundar o Livro de Daniel, iluminados pelo lema: “Seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14). Trata-se de uma mensagem particularmente atual para uma sociedade marcada pela insegurança, pelas disputas e pela busca desenfreada pelo poder.
Daniel viveu em um período difícil da história do povo de Israel. Jerusalém havia sido conquistada, o templo fora profanado e muitos judeus tinham sido levados para o exílio na Babilônia. Longe de sua terra, cercados por outra cultura e submetidos a um grande império, eles poderiam concluir que Deus os havia abandonado. Tudo parecia indicar que a força dos poderosos havia vencido.
É justamente nesse ambiente que surge a esperança anunciada pelo Livro de Daniel. Os impérios podem dominar territórios, controlar riquezas e impor leis, mas não conseguem ocupar o coração daqueles que permanecem fiéis a Deus. Daniel e seus companheiros foram pressionados a abandonar suas convicções, mas conservaram a fé. Não responderam com violência nem organizaram revoltas. Permaneceram firmes, confiando que a última palavra sobre a história não pertence aos reis, mas ao Senhor.
Essa mensagem continua necessária. Também vivemos cercados por poderes que se apresentam como absolutos. O dinheiro, a influência, a fama, as ideologias e os interesses políticos procuram conquistar nossa consciência. Muitas vezes somos levados a acreditar que vencer significa dominar, acumular ou derrotar quem pensa de maneira diferente.
O Livro de Daniel, porém, ensina que nenhum poder humano é definitivo. Governos passam, sistemas entram em crise, impérios desaparecem e os aplausos se silenciam. Isso não significa que devamos ficar indiferentes à sociedade. Pelo contrário: o cristão deve participar da vida pública, defender a justiça, combater a corrupção e trabalhar pelo bem comum. Mas não pode transformar pessoas, partidos ou ideologias em salvadores.
Quando depositamos toda a esperança em figuras humanas, cedo ou tarde experimentamos a decepção. O Reino de Deus não se confunde com nenhum projeto de poder. Ele se manifesta onde a verdade é respeitada, a vida é protegida, os pobres são acolhidos, a justiça é praticada e a dignidade humana é colocada acima dos interesses particulares.
Daniel nos convida, portanto, a cultivar uma fidelidade corajosa. Mesmo lançado na cova dos leões, permaneceu em oração. Mesmo cercado por ameaças, não negociou sua consciência. Sua confiança não estava na segurança oferecida pelos palácios, mas na presença de Deus.
O lema deste Mês da Bíblia nos devolve a esperança: “Seu reino jamais será destruído”. Enquanto os reinos humanos passam, o Reino de Deus continua crescendo silenciosamente. Ele começa no coração de quem escolhe servir em vez de dominar, perdoar em vez de se vingar e construir pontes em vez de levantar muros.
Diante das incertezas do presente, não precisamos viver dominados pelo medo. Somos chamados a permanecer firmes como Daniel, trabalhando pelo bem sem perder a esperança. Afinal, os poderosos deste mundo passam, os impérios desaparecem e os tronos ficam vazios. Mas a justiça, a misericórdia e o amor de Deus permanecem para sempre.
Uma ótima
semana a todos!


