O múltiplo Tristão Mariano da Costa

Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica do Bom Jesus
Creio que o prezado leitor já ouviu o nome de Tristão Mariano da Costa. Ele tem sido meu objeto de pesquisa há quase quarenta anos, seja como músico compositor, seja como memorialista. Mas a sua presença na história de Itu é bem maior: professor, vereador, articulista, membro influente de Irmandades religiosas e parte da elite intelectual da cidade, na passagem do século XIX para o XX.
Se não é tão conhecido como Elias Lobo, enquanto músico-compositor, se não é político prestigiado como os participantes da Convenção de Itu, dentre os republicanos históricos da cidade é um dos poucos que ocupou cargo de vereança e marcou a crônica da Câmara de Itu pela atuação acentuadamente polêmica.
Há trinta anos, a cidade celebrou, por iniciativa de diversas instituições, o sesquicentenário de seu nascimento: a Academia Ituana de Letras criou a Cadeira 30 “Maestro Tristão Mariano da Costa”, que tenho a honra de ocupar, o Museu Republicano organizou exposição, a Câmara Municipal de Itu realizou sessão solene e ofereceu apoio cultural à publicação de uma pequena biografia e à reprodução de seus originais, à época, preservados fora de Itu. Hoje estão todos no Museu da Música, mantido pelo Instituto Cultural de Itu. Papel fundamental teve o Coral Vozes de Itu ao restaurar obras e divulgar através de concertos e na celebração religiosa na Igreja Matriz de Nossa Senhora Candelária, onde o músico foi Mestre de Capela.
Neste ano em que a cidade celebra os 180 anos de seu nascimento, novas iniciativas são levadas adiante, uma exposição no Museu da Música, outra a ser aberta no Museu Republicano, a publicação de um volume pela ACADIL, concertos, encontros e a digitalização de suas partituras originais pelo Museu da Música.
A convite da redação do Jornal A Federação, a Biblioteca Histórica da Igreja do Bom Jesus publicará neste espaço, até o final de junho, mês de nascimento de Tristão Mariano, uma série de matérias divulgando a sua vida e obra, seu relacionamento com a cidade e as instituições, o tempo em que viveu em Piracicaba, a sua família de professores e artistas. Foram descendentes de Tristão Mariano: o compositor Tristão Júnior, a pianista Maria Augusta da Costa Bauer, o cantor, professor de Latim e ex-prefeito de Itu, Tristão Bauer, a sua filha Maria do Carmo Bauer (Carmita), célebre atriz e professora de teatro em São Paulo, o professor de música no Regente Feijó, Luiz Gonzaga da Costa Júnior (Prof. Luizito), para tratar dos nomes mais conhecidos e atuantes.
Tristão Mariano da Costa fez parte do grupo de leigos engajados que apoiou o pároco de Itu, Padre Elisiário de Camargo Barros, na fundação do jornal A Federação, em 1905, e escreveu no semanário quando aposentou-se do magistério, entre 1906 e 1908.
Torná-lo conhecido, a partir destas crônicas, é fortalecer o vínculo da comunidade com um personagem que pode inspirar, pelos erros e acertos, os cidadãos que devem atuar no tempo presente.




