O protagonismo de uma  barbárie diabólica
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No último dia 10 de agosto foi aprovada no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, uma nova lei do aborto. A governadora Maura Healey, do partido democrata, sancionou o que se chamou de Prioritizing Patient Access to Car Act, que poderíamos traduzir como “Lei priorizando o acesso do paciente ao cuidado médico”, após uma folgada aprovação nas casas legislativas do estado que, como os demais estados norte-americanos, possui uma autonomia maior em relação à aprovação de leis próprias. Na Câmara, o que equivaleria à nossa Assembleia Legislativa, o projeto recebeu 121 votos a favor contra 35 contrários, em segundo turno. Já no Senado do estado, a lei foi aprovada por 15 a 4, sendo que, nas duas casas, dos 130 parlamentares democratas, que constituem a esquerda nos Estados Unidos, 120 foram a favor da nova lei, quase uma unanimidade.
A nova regra suprime do antigo texto legal, já eminentemente abortista, os fundamentos clínicos que antes permitiam o aborto após a 24.ª semana de gestação: realização por um médico, apenas se necessário à preservação da vida da mãe ou sua saúde física ou mental (o que por si só já era um conceito muito amplo), anomalia letal ou por diagnóstico grave incompatível com a vida fora do útero sem intervenções extraordinárias.
A nova lei amplia drasticamente a possibilidade de abortar naquele estado, tornando o único requisito o julgamento profissional médico, que a norma sequer deixa claro qual seria. Ou seja, permite que uma mulher com nove meses de gestação, eventualmente já com o parto marcado, entre num consultório médico e lhe diga que não quer mais o filho, sabe-se lá por qual razão, cabendo ao profissional chancelar ou não o assassinato, sem que para isso tenha que apresentar qualquer justificativa legal. Em suma: a mãe não pode matar seu filho depois que ele sair da barriga porque é um ser humano, mas pode matá-lo até um minuto antes do nascimento porque ainda não é uma vida humana…
Essa medida está no contexto ideológico das reivindicações do feminismo, que incluem pautas como o feminicídio, a misoginia e o aborto e abre caminho, sem sombra de dúvida, para que outros estados norte-americanos e até países também a adotem e, quiçá, abre um precedente para que, no futuro, também passe a ser justificável o assassinato de crianças após o nascimento em casos de saúde abalada da mãe, depressão pós-parto etc. No caso do Brasil, essa pauta já chegou há tempos, e com força. Em 2012 o Supremo Tribunal Federal, sem autorização da lei, ampliou as hipóteses de “aborto legal” à anencefalia. E, atualmente, está julgando uma ação proposta por um partido de esquerda, que permite o aborto até a 12.ª semana, ação essa já com dois votos favoráveis, dos então ministros Rosa Weber e Luís Roberto Barroso, que preferiram sujar as mãos de sangue antes de deixar a Corte.
Mas, se o leitor já ficou escandalizado ou triste com o que até aqui relatamos, considere-se satisfeito por ter sido poupado da cena, divulgada nas redes sociais, em que a tal governadora sanciona a lei, ladeada por várias mulheres que reagem com uma calorosa salva de palmas. Aplausos para o assassinato dos filhos pelas mães. A mesma governadora que, ao encontrar-se com o Papa Francisco em 2024, afirmou que “como católica, acredito na nossa responsabilidade em cuidar dos outros, especialmente dos mais vulneráveis”. Quem é mais vulnerável que um bebê, e um bebê no ventre de sua mãe?! Mas a democrata continua: “Essa obrigação deve estar também no centro da nossa resposta às mudanças climáticas”. É uma cristã devota, que acredita na responsabilidade de cuidar dos mais vulneráveis e, por isso, é a favor do assassinato de crianças e contra o que quer que entenda que cause mudanças climáticas… Tudo isso é absolutamente diabólico!
Só em Massachusetts, de 2020 a 2024, mais de 124 mil bebês foram mortos antes de nascer, o que não é um caso isolado. Há outros estados norte-americanos que não possuem um teto temporal para a realização de abortos. Entre 2012 e 2016, na cidade de Nova Yorque, era mais provável que uma criança negra fosse abortada do que nascida. Foram 133 mil abortos contra 118 mil nascimentos. Mas isso não é genocídio! Pelo contrário, a grande mídia sequer falará sobre isso, como sequer divulgou a macabra lei aprovada na última semana.
Num momento em que o governo dos Estados Unidos nos faz respirar um pouco mais aliviado em meio ao caos em que vivemos, graças às suas políticas contra o terrorismo, os governos totalitários e a agenda woke e, por assim dizer, vem colocando novamente ordem no mundo ocidental, deixa escancarar essa triste mazela de sua sociedade, dominada por uma cultura de morte, sob a vergonhosa roupagem de “acesso ao cuidado médico”. Que Deus livre o Brasil e o mundo de ideologia tão nefasta!