Papa pede que instrumentos de destruição sejam colocados a serviço da vida
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O Papa Leão XIV recordou o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação com um apelo para que aquilo que tem sido utilizado para causar destruição seja direcionado à proteção da vida, dos pobres e do planeta.

Celebrada em 1º de setembro, a data também marcou o início do Tempo da Criação, período ecumênico dedicado à oração, à contemplação, à conversão e ao cuidado da casa comum. A iniciativa prossegue até 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis.

Em uma publicação na conta oficial @Pontifex, na rede social X, Leão XIV convidou os fiéis a se unirem em oração e ação. O objetivo, segundo o Pontífice, é fazer com que os cristãos se tornem “canais de água viva da paz de Deus”, capazes de contribuir para a recuperação de um mundo ferido.

O tema escolhido para o Tempo da Criação de 2026 é “Água viva”. A imagem recorda a necessidade de renovar a vida, restaurar as relações e promover a paz em meio aos conflitos, às desigualdades e à degradação ambiental.

Cuidado da criação exige conversão

Em sua mensagem para a data, o Papa ressaltou que cuidar da casa comum exige uma conversão do coração. Essa transformação deve levar as pessoas a reverem seus comportamentos, escolhas e formas de relacionamento com Deus, com o próximo e com a natureza.

Para Leão XIV, a oração precisa ser acompanhada por atitudes concretas. O compromisso com a criação deve se manifestar na proteção dos recursos naturais, no combate ao desperdício, no cuidado com as pessoas vulneráveis e na construção de uma sociedade mais justa e pacífica.

O Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação foi instituído em 2015 pelo Papa Francisco. A celebração possui um forte caráter ecumênico, pois reúne cristãos de diferentes Igrejas e confissões em torno da responsabilidade comum pela proteção do planeta.

Em 2026, o encerramento do Tempo da Criação também coincide com as celebrações do oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis. Conhecido por sua relação fraterna com todas as criaturas, o santo permanece como uma importante referência para a espiritualidade ecológica cristã.

Crise ambiental também é ética e cultural

Leão XIV já havia abordado o assunto durante o Angelus de 30 de agosto. Na ocasião, o Papa retomou as palavras do profeta Isaías sobre a transformação das espadas em arados e das lanças em foices.

A passagem bíblica representa o chamado para transformar instrumentos de morte em meios capazes de cultivar, alimentar e preservar a vida. Ela também inspira a humanidade a abandonar a lógica da violência e buscar caminhos de reconciliação e paz.

Segundo o Pontífice, as guerras e a exploração irresponsável da natureza possuem raízes em uma crise ética e cultural. Entre suas manifestações estão a perda do senso de limite, o desejo de domínio, a busca pelo lucro imediato e a incapacidade de reconhecer a dignidade concedida por Deus a cada pessoa.

A crise ecológica, portanto, não pode ser enfrentada somente por meio de soluções técnicas. Ela exige uma mudança interior e uma nova compreensão do progresso, baseada no respeito à criação, na solidariedade e na responsabilidade para com as futuras gerações.

Missa pela Custódia da Criação

Por ocasião da data, Leão XIV presidiu a Missa pela Custódia da Criação no Jardim da Madonnina, no Borgo Laudato si’, localizado nos Jardins Pontifícios de Castel Gandolfo.

Na celebração, foi utilizado o formulário litúrgico da “Missa pela Custódia da Criação”. O texto é resultado de um trabalho conjunto entre diferentes organismos da Santa Sé e destaca a responsabilidade cristã de proteger o mundo criado por Deus.

Em sua homilia, o Papa convidou os fiéis a contemplarem a beleza da criação e a reconhecerem a presença do Criador. Leão XIV também ressaltou que ainda é possível mudar o rumo da humanidade e direcionar para a vida aquilo que foi empregado na destruição.

O Pontífice recordou ainda o ensinamento do Papa Francisco e a inspiração de São Francisco de Assis. A fraternidade universal, destacou, está inseparavelmente ligada ao compromisso de cuidar da criação.

O Tempo da Criação oferece às comunidades cristãs uma oportunidade para promover momentos de oração, formação e conscientização. Também incentiva iniciativas concretas de preservação ambiental, solidariedade com os pobres e defesa da paz.

Com informações do Vatican News.