Solenidade Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria
Diác. Raimundo Bezerra Neto
Paróquia São Judas Tadeu
“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!”
Evangelho (Lc 1,39-56)
No Credo, proclamamos: “Creio na ressurreição da carne e na vida eterna”. Essas verdades fundamentais de nossa fé encontram em Nossa Senhora uma manifestação plena e luminosa. Na solenidade da Assunção, celebramos Maria elevada ao Céu em corpo e alma. Nela contemplamos a certeza de que aqueles que confiam no Deus da vida são chamados a participar da plenitude da vida.
A Assunção revela o término da caminhada terrena de Maria e sua entrada definitiva na glória de Deus. É, por assim dizer, a Páscoa de Nossa Senhora. Aquela que participou de modo singular da história da salvação é reconhecida como a nova Eva e imagem da Igreja renovada pelo Senhor.
No Evangelho, Maria coloca-se prontamente a serviço. Mesmo sem compreender plenamente tudo o que estava acontecendo, ela guardava no coração a certeza de que deveria fazer o bem. Por isso, partiu apressadamente para a casa de sua prima Isabel.
A atitude de Maria revela o chamado que o Senhor dirige diariamente a cada um de nós. Quando Deus chama, também concede a força necessária para responder. Maria sabia que o caminho pela região montanhosa não seria fácil. Haveria cansaço, dificuldades e provações. Contudo, a certeza de que Deus a conduzia encheu seu coração de coragem e esperança.
O Senhor também nos chama, escolhe e envia. Essa verdade deve despertar em nós uma confiança tão grande que nos leve a responder com alegria: “Eu vou, porque é o Senhor quem me chama!”.
O Evangelho mostra que o chamado acolhido por Maria transformou o medo em coragem. Assim também acontece na vida do missionário e da missionária que se abandonam nas mãos de Deus: a fragilidade dá lugar à confiança, e a insegurança transforma-se em disponibilidade.
Ao encontrar Isabel, Maria entoa o Magnificat: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”. Eis uma das características do verdadeiro missionário: a alegria. Maria não canta porque sua caminhada tenha sido fácil, mas porque reconhece que Deus permaneceu fiel em todos os momentos.
Em seu cântico, Nossa Senhora anuncia o Deus que eleva os humildes, acolhe os pequenos e socorre os necessitados. É uma lógica diferente daquela do mundo. A sociedade frequentemente valoriza quem possui mais; o Evangelho, porém, revela que os pobres e os humildes ocupam um lugar especial no coração de Deus.
Maria foi elevada ao Céu não por ser poderosa segundo os critérios humanos, mas porque se fez serva: humilde, disponível e fiel. Sua presença transmitia paz e esperança. Ao ouvir sua saudação, Isabel ficou cheia do Espírito Santo, e o menino exultou em seu ventre.
Peçamos que Nossa Senhora nos ensine a escutar o chamado de Deus, a transformar o medo em coragem e a colocar nossa fé a serviço dos irmãos. Contemplando Maria elevada ao Céu, renovemos nossa esperança na ressurreição e na vida eterna.
Nossa Senhora da
Assunção, rogai por nós.
Amém!


