Toda vocação nasce  do Batismo
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Agosto é, para a Igreja no Brasil, um tempo especialmente dedicado à oração, à reflexão e ao cuidado com as vocações. Ao longo deste mês, recordamos os ministros ordenados, a vocação matrimonial, a vida consagrada e a missão dos cristãos leigos. Essa diversidade de chamados revela a riqueza dos dons que o Espírito Santo concede à Igreja. Entretanto, antes de qualquer escolha específica, existe uma vocação comum que sustenta todas as outras: a vocação que recebemos no Batismo.
Muitas vezes, quando se fala em vocação, pensamos imediatamente no sacerdócio ou na vida religiosa. Essas vocações são preciosas e indispensáveis para a vida e a missão da Igreja, mas não esgotam o significado do chamado de Deus. Vocação não é privilégio de alguns. Todo batizado é chamado por Deus, recebe uma missão e ocupa um lugar insubstituível na construção do Reino.
No Batismo, somos mergulhados na vida de Cristo e nos tornamos membros de seu Corpo, que é a Igreja. Recebemos uma identidade nova: somos filhos e filhas de Deus, irmãos entre nós e discípulos enviados ao mundo. O Batismo não é apenas uma celebração familiar ou uma lembrança guardada em fotografias. É o início de uma vida comprometida com Jesus e com o Evangelho.
Por isso, a primeira vocação de todo cristão é a santidade. Ser santo não significa viver afastado da realidade, realizar feitos extraordinários ou nunca cometer erros. A santidade acontece quando permitimos que o amor de Deus transforme nossas escolhas, nossos relacionamentos e nossa maneira de servir. Ela cresce na fidelidade diária, na oração, no perdão, na honestidade, no cuidado com os mais frágeis e na disposição de recomeçar.
Do Batismo também nasce a missão. Quem encontra Cristo não pode guardar essa alegria somente para si. Cada batizado é chamado a anunciar o Evangelho com palavras e atitudes. Alguns farão isso no ministério ordenado; outros, na vida consagrada. Muitos viverão sua missão no matrimônio, na família, na profissão, na comunidade, na educação, na política, na cultura ou no serviço aos necessitados.
Nenhuma dessas vocações é maior ou menor quando vivida com fidelidade. São formas diferentes de responder ao mesmo amor e de participar da única missão de Cristo. A Igreja precisa de sacerdotes santos, diáconos servidores, religiosos e religiosas entregues, famílias firmes no amor e leigos conscientes de sua responsabilidade no mundo. Precisa, sobretudo, de batizados que saibam quem são e para que foram enviados.
Essa compreensão também transforma a maneira como promovemos as vocações. A pastoral vocacional não pode preocupar-se apenas em encontrar candidatos ao seminário ou à vida religiosa. Sua missão é ajudar cada pessoa a escutar a voz de Deus, reconhecer os próprios dons e discernir como colocá-los a serviço. Toda comunidade cristã deve tornar-se um ambiente vocacional, no qual crianças, jovens e adultos sejam acompanhados e encorajados a perguntar: “Senhor, o que queres de mim?”
Celebrar o mês vocacional é renovar nossa consciência batismal. É recordar que ninguém está na Igreja apenas para assistir, receber ou ocupar um lugar. Todos somos chamados a participar, servir e testemunhar. Há uma missão confiada a cada pessoa, inclusive àquelas que se consideram pequenas, despreparadas ou sem importância.
Deus continua chamando no cotidiano: na necessidade de uma família, no sofrimento de um vizinho, na catequese que precisa de colaboradores, na comunidade que necessita de presença e na sociedade que espera testemunhos de justiça e esperança. Escutar a vocação é perceber esses apelos e responder com generosidade.
Neste mês de agosto, peçamos ao Senhor que desperte novas vocações sacerdotais e religiosas. Peçamos também por matrimônios santos, famílias missionárias e leigos comprometidos. Acima de tudo, renovemos a graça de nosso Batismo e assumamos a missão que dele nasce.
Toda vocação começa quando acolhemos uma certeza: fomos chamados pelo nome, amados por Deus e enviados para tornar Cristo presente no mundo, em todos os lugares.

Ótima semana a todos!