18º Domingo do Tempo Comum

Diác. Raimundo Bezerra Neto
Paróquia São Judas Tadeu
“Eles não precisam ir embora.
Dai-lhes vós mesmos de comer!”
Evangelho (Mt 14,13-21)
Depois de nos apresentar as parábolas do Reino, a liturgia deste 18º Domingo do Tempo Comum nos conduz a um novo ensinamento: Deus não apenas anuncia o Reino, mas também alimenta o seu povo. O pão multiplicado por Jesus é sinal daquele alimento que sustenta nossa caminhada e revela o amor providente do Pai.
Jesus é o novo Moisés. Assim como Deus alimentou Israel no deserto com o maná, agora Cristo oferece um pão que sacia não apenas a fome do corpo, mas também a fome do coração. O Evangelho começa justamente com Jesus retirando-se para um lugar deserto. Na Bíblia, o deserto nunca é apenas um lugar de provação; é, sobretudo, um lugar de encontro com Deus. Foi ali que o povo de Israel aprendeu a confiar na providência divina.
Também nós somos convidados a nos perguntar: qual é o deserto que estou atravessando hoje? Pode ser o sofrimento, a enfermidade, a solidão, as dificuldades familiares ou a insegurança diante do futuro. O deserto nos assusta, mas é nele que Deus nos ensina a depender menos de nossas forças e mais de sua graça. Se o Senhor permite que passemos pelo deserto, é porque deseja nos fortalecer, nos curar e renovar nossa confiança.
Ao chegar, Jesus vê a multidão e “enche-se de compaixão”. Ele não permanece indiferente ao sofrimento humano. Cura os doentes, acolhe os cansados e, ao perceber a fome do povo, recusa a solução mais fácil proposta pelos discípulos: despedir a multidão.
Então vem uma das frases mais desafiadoras do Evangelho: “Dai-lhes vós mesmos de comer.” Jesus transforma os discípulos de espectadores em colaboradores da sua obra. Aquilo que parecia problema dos outros torna-se responsabilidade de todos.
Quantas vezes também somos tentados a “lavar as mãos” diante das necessidades do próximo? Pensamos que a dor do outro não nos diz respeito. No entanto, Cristo nos recorda que a fé sempre se traduz em partilha, solidariedade e compromisso.
A multiplicação dos pães começa quando alguém oferece os poucos pães e peixes que possui. Nas mãos de Jesus, o pouco torna-se abundância. O milagre acontece quando deixamos o egoísmo e colocamos nossos dons, nosso tempo e nossos recursos a serviço dos irmãos.
Que esta Eucaristia fortaleça nossa fé e nos ensine a reconhecer que Deus continua alimentando o seu povo. E que, ao ouvirmos novamente as palavras de Jesus — “Dai-lhes vós mesmos de comer” — tenhamos a coragem de responder com generosidade, tornando-nos instrumentos da providência divina na vida daqueles que mais necessitam.
Deus nos abençoe.

