17º Domingo do Tempo Comum

Diác. Paulo Halter
Paróquia Nossa Senhora da Candelária
“Assim acontecerá no fim dos tempos:os anjos virão para separaros homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo.”
Evangelho (Mt 13,44-52)
O Reino de Deus é o resultado de duas profundas aspirações: a de Deus e a da humanidade. O desejo do Senhor, tantas vezes expresso nas Sagradas Escrituras, é que todos vivam em harmonia, justiça e paz. Contudo, a história da humanidade revela um caminho muitas vezes contrário a esse projeto, pois nem sempre há discernimento e uma verdadeira opção pela vida que o Reino propõe. A liturgia deste domingo convida-nos a refletir sobre as nossas prioridades e sobre os valores nos quais fundamentamos a nossa existência.
No Evangelho, Jesus apresenta o seu maior tesouro: o Reino de Deus. Para nos ajudar a compreendê-lo, utiliza três parábolas. A primeira fala do tesouro escondido no campo; a segunda, da pérola de grande valor. Em ambas, Jesus mostra o quanto o ser humano é capaz de valorizar aquilo que considera precioso. Mais do que destacar o valor material do tesouro ou da pérola, Ele chama a atenção para a alegria e o entusiasmo de quem os encontra.
Essa mesma alegria deve animar todos aqueles que descobrem o Reino de Deus como o verdadeiro tesouro de suas vidas. O Reino, marcado pela justiça, pela verdade e pelo amor, torna-se o valor absoluto para quem o acolhe. Assim, aderir ao Reino é, sem dúvida, a decisão mais importante e mais sábia que uma pessoa pode tomar.
A terceira parábola, a da rede lançada ao mar, prolonga o ensinamento da parábola do joio no meio do trigo, proclamada no domingo passado. O que, naquela ocasião, foi realizado pelos empregados do proprietário, agora é feito pelos próprios pescadores. Tanto a colheita quanto a seleção dos peixes simbolizam aquilo que acontecerá no fim dos tempos.
Na sociedade convivem lado a lado os “peixes bons” e os “peixes ruins”. Quem lança a rede é Deus, e somente a Ele compete realizar o julgamento definitivo. A parábola recorda aos cristãos que a perseverança no discernimento, na fidelidade e na opção pelo Reino de Deus conduz à vida eterna.
Neste Evangelho, Jesus conclui o seu grande discurso em parábolas. Para tornar sua mensagem acessível a todos, Ele não utiliza apenas imagens da agricultura, mas também exemplos retirados da vida doméstica, do comércio e da pesca. Assim, oferece às multidões e aos discípulos diversos caminhos para compreenderem a presença e a ação do Reino de Deus, manifestadas em sua pregação e confirmadas por seus sinais e milagres.
Portanto, meus irmãos e minhas irmãs, não basta apenas compreender intelectualmente o significado dessas parábolas. É preciso acolher seu ensinamento, apropriar-se dele e vivê-lo concretamente. Somos chamados a assumir o Reino de Deus como projeto de vida, deixando que ele transforme o nosso coração e ilumine nossas escolhas.
Peçamos ao Senhor Jesus que nos conceda a Sabedoria Divina, para que possamos compreender cada vez mais profundamente o mistério do seu Reino e, cheios de alegria, anunciá-lo a todos com o testemunho da nossa vida.
Que o Senhor
Deus Todo-Poderoso
vos abençoe.


