23º Domingo do  Tempo Comum
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Diác. Bartolomeu de Almeida Lopes
Paróquia São Judas Tadeu

“Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome,eu estou aí, no meio deles”.

Evangelho (Mt 18,15-20)

 

Meus irmãos e irmãs, o Evangelho de hoje nos apresenta um ensinamento necessário para a vida cristã e para a convivência em comunidade. Jesus sabe que, onde existem pessoas, também podem surgir diferenças, incompreensões, falhas e feridas. A comunidade dos discípulos não é formada por pessoas perfeitas, mas por irmãos e irmãs que caminham juntos, aprendendo a amar, perdoar e recomeçar.
Diante do pecado ou da ofensa, Jesus não nos autoriza a espalhar comentários, alimentar julgamentos ou expor aquele que errou. Ao contrário, Ele ensina: “Vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo”. A primeira atitude deve ser o encontro pessoal, realizado com discrição, respeito e caridade. Corrigir fraternalmente não é humilhar, acusar ou demonstrar superioridade. É aproximar-se com o desejo sincero de recuperar a comunhão e ajudar o outro a reconhecer aquilo que precisa ser transformado.
Jesus afirma: “Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão”. Não se trata de ganhar uma discussão, provar que estamos certos ou derrotar alguém. O que deve ser ganho é o irmão. A maior vitória não acontece quando nossa opinião prevalece, mas quando o amor é restaurado, as feridas começam a cicatrizar e a fraternidade pode renascer.
Caso o diálogo particular não produza frutos, Jesus orienta que outras pessoas sejam chamadas. Não para formar um grupo de acusação, mas para colaborar na busca da verdade e da reconciliação. Se ainda assim não houver abertura, a questão deve ser apresentada à comunidade. O objetivo permanece: cuidar da pessoa, proteger a comunhão e evitar que o pecado destrua os vínculos fraternos.
Quando Jesus fala em tratar alguém como pagão ou pecador público, não está ensinando o desprezo ou a vingança. Basta recordar como Ele próprio se aproximava dos pecadores: com misericórdia, paciência e permanente convite à conversão. Talvez seja necessário reconhecer que a comunhão foi ferida, estabelecer limites e aguardar um tempo oportuno, mas nunca fechar definitivamente a porta do coração.
O Evangelho também nos recorda a responsabilidade confiada à Igreja: ligar e desligar, discernir, reconciliar e conduzir seus filhos pelos caminhos de Deus. Essa missão não pode ser exercida com autoritarismo, mas à luz da Palavra, na oração e sob a ação do Espírito Santo.
Antes de corrigirmos alguém, examinemos também o próprio coração. Muitas vezes enxergamos com facilidade a falha alheia, mas ignoramos nossas limitações. A humildade torna nossas palavras verdadeiras, acolhedoras e capazes de produzir frutos.
Por fim, Jesus nos oferece uma consoladora certeza: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”. Cristo está presente quando a comunidade reza, procura compreender, perdoa e trabalha pela unidade. Sua presença transforma nossas relações e nos ajuda a vencer o orgulho, a mágoa e a indiferença.
Peçamos ao Senhor a graça de falar com caridade, escutar com humildade e perdoar com generosidade. Que nossas famílias e comunidades sejam lugares de diálogo, correção fraterna e reconciliação. Assim, unidos em nome de Jesus, seremos sinais vivos de sua presença e testemunhas de um amor que não desiste de ninguém.
Deus abençoe a todos!