A morte do compositor

Tristão Mariano da Costa faleceu repentinamente a 6 de abril de 1908, vítima de um infarto, na madrugada da segunda-feira da quinta semana da Quaresma, após assistir à Procissão de Passos. Foi um choque grande para a sociedade, afinal, ele estava em pleno exercício como regente de coro, contava 62 anos e tinha filhos jovens. Alguns meses antes, havia falecido uma neta de nome Noemi, primeira filha de Luiz Gonzaga da Costa, o que o abalou muito.
Assim manifestou-se a redação do jornal Republica, opositor às ideias de Tristão Mariano, sobre a morte do compositor: “Mais uma vez a sociedade ituana está de luto por um de seus membros proeminentes. E desta vez a histórica Terra da Convenção alia-se à Arte para chorar a perda irreparável de um legítimo artista. Não foi só o cidadão que tanto honrava o seu berço, que foi vitimado pelo golpe traiçoeiro, foi o emérito cultor da Divina Arte; foi o continuador do pranteado José Mariano, foi o filho dileto desta terra de artistas. (…)
Tristão Mariano, o estimado cidadão, o maestro por excelência, morreu à 1 hora da noite de domingo para segunda-feira passada.
Ainda na véspera, domingo à noite, assistia ao concerto musical no jardim público, e ninguém dizia que em breves horas seria tão atrozmente arrebatado dentre os vivos, (…)
Divergência de ideias separava-nos, por vezes, do saudoso finado; a morte, porém, passa uma esponja sobre essas pequenas dissenções. Deixamos de parte essas pequenas coisas, pois costumamos separar as pessoas das ideias e manda a nossa lealdade que tornemos pública, como já o temos feito, a nossa admiração pelo excelente cidadão, carinhoso chefe de família e exímio artista.”
De sua parte, o jornal A Federação lamentou a perda de Tristão Mariano como uma de suas colunas principais, dentre os homens que sustentavam os ideais que moviam o periódico católico, comparando a sua morte à do fundador e primeiro redator, Augusto Cesar de Barros Cruz. Eis o trecho mais dramático da retórica: “Augusto Cruz e Tristão Mariano, eis o nome de duas fortes colunas sobre as quais descansava-se esta humilde folha; eis os nomes de dois católicos exemplares, cuja vida foi um modelo de virtude: eis o nome de dois cidadãos em cujos corações os nomes de Deus e da Pátria estavam esculpidos com caracteres indeléveis.”
Após o velório em casa, na Rua São Francisco, houve missa de corpo presente na Igreja do Bom Jesus e, no fim da tarde, encomendação da alma na Igreja de São Francisco, cuja Ordem Terceira ele era irmão. O acompanhamento ao cemitério contou com 700 pessoas entre familiares, amigos, membros das irmandades, músicos. As duas bandas compareceram revezando-se ao tocar marchas fúnebres de seu repertório. Fizeram discursos, à beira da sepultura, Francisco Pereira Mendes Filho e Francisco Nardy Filho, ex-alunos de Tristão Mariano, e Nicanor Penteado e Juvenal do Amaral. Do Colégio São Luís vieram o reitor, dois padres e uma comissão de alunos.
Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica
do Bom Jesus




