10º Domingo do  Tempo Comum
Compartilhe

Diác. Luiz Demarchi
Paróquia São José

 

“Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício.”

Evangelho (Mt. 9,9-13)

Quando Jesus chama Mateus e se senta à mesa com os pecadores, revela-nos uma verdade profunda: o amor de Deus vai além do pecado e alcança o coração humano. Jesus não espera que a pessoa seja perfeita para dela se aproximar. Ao contrário, aproxima-se para transformar, curar e converter.
Mateus era cobrador de impostos, um publicano. Sua profissão era malvista e frequentemente associada à corrupção e ao pecado. No entanto, Jesus o chama exatamente como ele é. Não apenas o convida a abandonar uma vida errada, mas a abraçar a grandeza do amor de Deus e o caminho da santidade.
Ao sentar-se à mesa com Mateus e seus amigos, Jesus realiza um gesto de comunhão e intimidade. Essa atitude escandaliza alguns fariseus, que se julgavam guardiões da verdade e da justiça. Contudo, o Senhor deixa claro que veio para os doentes, e não para os que se consideram saudáveis. Veio para aqueles que reconhecem a necessidade de cura e salvação.
Diante das críticas, Jesus recorda as palavras do profeta Oseias: “Quero misericórdia e não sacrifícios”. Com isso, ensina-nos que o julgamento e a exclusão não salvam ninguém. O que transforma a vida é o encontro pessoal com a misericórdia de Cristo.
É verdade que nem todos os fariseus se opunham a Jesus. Tratava-se de um grupo que não possuía a pobreza espiritual necessária para compreender o coração do Mestre. Faltava-lhes a humildade de reconhecer que tudo é dom de Deus e que ninguém é dono da salvação.
Ainda hoje, muitos correm o risco de pensar que Deus lhes pertence, como se fossem os únicos justos e os únicos dignos de seu amor. Agindo assim, repetem a atitude daqueles que murmuravam: “Este homem senta-se com os pecadores e faz refeição com eles”.
Jesus, porém, nos convida a abrir o coração. Para estarmos unidos a Deus, não podemos nos fechar no egoísmo. Somos chamados a acolher os irmãos, especialmente os mais necessitados, os que vivem situações de sofrimento, abandono e pobreza.
Quem é verdadeiramente pobre de espírito compreende que os dons recebidos de Deus não são propriedade exclusiva, mas presentes destinados a ser compartilhados. E quanto mais os compartilhamos, mais eles se multiplicam.
Podemos comparar o amor de Deus a uma chama. Quando uma vela acende outra, não perde sua luz; ao contrário, a claridade aumenta. Assim também acontece com a fé, a esperança e a caridade. Quem procura guardar tudo para si acaba deixando a chama enfraquecer. Quem partilha, ilumina o mundo.
Peçamos ao Senhor a graça de um coração misericordioso, livre do egoísmo e aberto aos irmãos. Que saibamos confiar nossa vida em suas mãos e colocar todos os nossos dons a serviço do bem, para que a graça recebida no Batismo produza abundantes frutos em nossa caminhada cristã.

Tenham todos uma santa e abençoada semana!