A tenda do encontro: os 7 passos na construção das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 2026-2032
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As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) foram aprovadas durante a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Aparecida (SP). O documento, que orientará a missão evangelizadora da Igreja no país entre os anos de 2026 e 2032, é resultado de um longo processo de escuta, discernimento e participação iniciado em 2022.
A construção das novas Diretrizes teve início ao final da 59ª Assembleia Geral da CNBB, quando os bispos do Brasil enviaram uma carta à Igreja propondo a continuidade da escuta e do discernimento pastoral, em sintonia com o caminho sinodal vivido pela Igreja em todo o mundo. O objetivo era atualizar as orientações pastorais diante das novas realidades sociais, culturais e eclesiais.
Ao longo de 2023, o episcopado brasileiro aprofundou a reflexão sobre os desafios contemporâneos, como os impactos da pandemia, a transformação digital, a polarização social, a pobreza e o enfraquecimento do senso de pertença à comunidade eclesial. Nesse contexto, três palavras passaram a nortear o texto das Diretrizes: comunhão, participação e missão.
Já em 2024, os trabalhos avançaram com a elaboração de um instrumento de trabalho discutido durante a 61ª Assembleia Geral da CNBB. A metodologia da “conversa no Espírito” foi utilizada nos grupos de discernimento, favorecendo a escuta dos sinais dos tempos e a definição de novos caminhos pastorais para a Igreja no Brasil.
Nesse período, a imagem da “tenda alargada” tornou-se inspiração central das novas Diretrizes, expressando o desejo de uma Igreja mais acolhedora, missionária e aberta ao diálogo. O texto também incorporou reflexões sobre temas atuais, como a crise climática, o avanço das tecnologias e o crescimento do individualismo.
Em junho de 2024, o Papa Francisco enviou uma mensagem ao episcopado brasileiro, incentivando o processo de elaboração das Diretrizes e pedindo que o Espírito Santo iluminasse os bispos na formulação de orientações capazes de responder aos desafios do tempo presente.
A expectativa inicial era que o texto fosse votado em 2025. Contudo, com o falecimento do Papa Francisco, a Assembleia Geral daquele ano foi adiada, e a votação transferida para 2026. Mesmo assim, o documento continuou sendo trabalhado nas dioceses e organismos eclesiais como *Instrumentum Laboris*, permitindo novas contribuições e sugestões vindas das comunidades.
Em janeiro de 2026, a comissão de redação apresentou aos bispos a 23ª versão do texto, consolidando o caminho percorrido em espírito de corresponsabilidade e sinodalidade. Durante a 62ª Assembleia Geral, os bispos apresentaram mais de 1.500 emendas ao documento, posteriormente analisadas pela equipe responsável pela redação final.
O presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, destacou o empenho da equipe de redação e afirmou que o texto aprovado reflete os desafios atuais da evangelização no Brasil.
Aprovado no dia 23 de abril, o documento assume como imagem central a “tenda do encontro”, inspirada pelo Sínodo sobre a Sinodalidade. A proposta é reforçar uma Igreja capaz de acolher, ampliar espaços de participação e fortalecer a missão evangelizadora em todas as realidades do país.
As novas Diretrizes estão estruturadas em seis capítulos.

Conheça a estrutura do documento das DGAE que terão validade de 2026 a 2032:

1º Capítulo: A Igreja: tenda do encontro
A Igreja é compreendida como tenda do encontro. A tenda acolhe todos, ela pode ser, sempre de novo alargada, de acordo com as necessidades.
2º Capítulo: A escuta dos sinais
É feita a escuta tanto dos sinais dos tempos, que dizem respeito à realidade atual do mundo, quanto os sinais de esperança e da ação do Espírito Santo que podem ser vistos nas comunidades de todo o país.
3º Capítulo: Discernimento para uma Igreja Sinodal
Aqui entram os aspectos fundamentais que já foram apresentados durante o Sínodo dos Bispos em 2023 e 2024, os princípios da comunhão, da participação e da missão.
4º Capítulo: Povo de Deus em missão
Todos nós somos chamados a testemunhar e anunciar o Evangelho (laicato, ministros leigos e leigas, famílias, crianças e adolescentes, jovens, mulheres, pessoas com deficiência e neurodivergência, idosos, vida consagrada, ministros ordenados e povos indígenas).
5º Capítulo: Caminhos da Missão
Indicações sobre “os modos concretos” de efetivar as propostas das Diretrizes da Ação Evangelizadora, não apenas com ações, mas que todos encontrem na tenda “lugar, sentido e envio na missão”. Nesse sentido, os caminhos dizem respeito à animação bíblica da Pastoral; à iniciação à vida cristã, à liturgia e à piedade popular; ao serviço à vida plena para todos; à evangélica opção preferencial pelos pobres; à formação, defesa e cuidado da vida e à ecologia integral.
6º Capítulo: Compromissos sinodais
Com o compromisso de que as diretrizes tivessem em sintonia com as decisões do Sínodo, o texto foi firmado como o principal instrumento de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade na realidade do Brasil. Assim, o último capítulo contém uma atitude considerada por dom Jaime como o “coração do documento final do Sínodo 2023”: a conversão.
Assim, os compromissos sinodais partem da conversão em três âmbitos: das relações, dos processos e dos vínculos.
Na conversão das relações, estão presentes a questão da proteção de menores e da comunicação, por exemplo.
Na conversão dos processos, os bispos abordam os espaços de promoção da sinodalidade, como as assembleias diocesanas, os conselhos pastorais, os conselhos econômicos e a questão do Dízimo.
Por fim, a conversão dos vínculos diz respeito aos organismos do povo de Deus, aos organismos e projetos missionários, ao Pacto Educativo Global lançado pelo Papa Francisco e à questão do ecumenismo e o diálogo inter-religioso.