3º Domingo da Páscoa

Diác. Francisco Carlos Moraes
Paróquia Nossa Senhora
da Candelária
“Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?”
Evangelho (Lc 24,13-35 )
Hoje, primeiro dia da semana, dia em que o Pai ressuscitou Jesus, reunimo-nos em assembleia. Nesta reunião, partilhamos com Ele as incertezas, as dúvidas e as dificuldades em compreender o caminho pascal. Somos iluminados pela Palavra da Escritura, que nos prepara para o banquete da Aliança, onde Ele mesmo se dá como alimento. Ele vem ao nosso encontro, caminha conosco e abre nossos olhos e ouvidos para compreendermos o sentido da cruz.
Deixemo-nos guiar por sua Palavra, que nos tira o medo e a timidez e nos faz anunciadores da Boa-Nova.
O episódio evangélico deste 3º Domingo da Páscoa relata que dois discípulos, decepcionados, voltavam de Jerusalém para sua vila. Jesus se coloca ao lado deles e lhes fala de si e dos acontecimentos, à luz das Escrituras. Certamente lhes explicou o significado profético do cordeiro pascal, do servo de Javé e de outros elementos de sua paixão. Algo começa a ressoar no coração dos discípulos: a fé vai despertando pouco a pouco. Seus corações se inflamam e a esperança se reacende. Contudo, ainda não o reconhecem. Percebem que os fatos confirmam o que as mulheres haviam dito, mas não o veem.
Depois, à mesa, o reconhecem. Melhor ainda, Jesus dá-se a conhecer no gesto familiar do partir o pão.
O que nos diz esse episódio? O evangelista quer expressar algo que vai além daqueles dois discípulos e diz respeito a toda a Igreja: Jesus está vivo, ressuscitou e permanece presente no mundo. Ele voltou ao Pai, está à sua direita e intercede por nós, mas não abandonou a terra: “estarei convosco até o fim do mundo”. O Cristo que caminha com os discípulos é o mesmo que caminha com toda a humanidade.
“Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo?”, disseram os anjos às mulheres. É entre os vivos que devemos procurá-lo.
Jesus está realmente entre nós. Contudo, isso será inútil se não reconhecermos sua presença, se permanecermos indiferentes a Ele. Mas o Evangelho não nos deixa apenas essa constatação. Se Jesus se dá a conhecer na Palavra proclamada e no partir do pão, então compreendemos que não precisamos olhar para longe: nós somos aqueles dois discípulos!
Fica, então, um questionamento: quando nos reunimos na assembleia dominical, nossos olhos se abrem para reconhecer Jesus? Nosso coração arde ao ouvirmos as Escrituras?
Deus abençoe
a todos!




