Semana Santa ituana: uma programação de fôlego

A cidade de Itu ainda possui uma das mais tradicionais Semanas Santas do Estado de São Paulo, com belas e piedosas cerimônias. Contribui para isso seu centro histórico com casarões e praças, suas igrejas barrocas, imagens centenárias esculpidas em madeira, associações religiosas e irmandades, música especialmente composta para cada cerimônia por artistas ituanos, bandas de música, aparato litúrgico… e sacerdotes que apoiam e se empenham na preservação das tradições que, além de fazerem parte da identidade do povo ituano, contribuem para a edificação das almas nesse período tão importante para o cristianismo, quando se celebra a paixão, morte e ressurreição de Cristo.
Nos últimos anos, numa iniciativa da comunidade da igreja do Carmo e com o importante apoio de outros segmentos da sociedade, têm-se recuperado várias cerimônias que, por uma razão ou outra, foram se perdendo ao longo dos anos. Essas “novas velhas celebrações” vêm somar com as que se mantiveram, de modo a enriquecer ainda mais a programação que por si só já era robusta. Foram os casos do Ofício de Trevas em 2003, da Procissão do Fogaréu em 2025, e da Procissões do Triunfo e da Segunda Procissão do Enterro, novidades deste ano de 2026. Assim, só a igreja do Carmo terá este ano cinco procissões que, somadas às duas da Matriz da Candelária e às celebrações propriamente litúrgicas que acontecem nesses dias na Matriz, no Carmo e no Bom Jesus, oferecerão aos fiéis fartas oportunidades de oração e de união aos sofrimentos e alegrias então comemorados.
A programação tem início no dia 21 de março, quando muitas igrejas, como é o caso do Carmo, velam suas imagens com panos roxos, para significar a tristeza do Tempo da Paixão e para fazer com que foquemos mais fortemente nos mistérios celebrados. Nesse mesmo dia, após a missa das 18 horas, sairá do Carmo a Procissão do Depósito de Nossa Senhora das Dores, quando seu andor será levado até à Matriz da Candelária para dali sair, no dia seguinte, para a Procissão de Passos. No percurso será rezado o exercício da Via-sacra pelos congregados marianos.
No dia 22 de março, Primeiro Domingo da Paixão (ou 5.º da Quaresma), após 70 anos sendo realizada no Domingo de Ramos, acontecerá a Procissão de Passos. Mais que uma simples procissão, a celebração é uma meditação da Via-sacra carmelita, que é composta por sete estações – os passos – alusivas à paixão de Cristo. Os passos são montados em residências e igrejas do itinerário, cada um representando um momento da paixão, onde artísticos altares recebem a relíquia do Santo Lenho, que é incensada enquanto coro e orquestra executam motetes alusivos à passagem, composições do século XIX do maestro ituano José Mariano da Costa Lobo. Ali também há o canto da Verônica, em música do século XVIII e do também ituano Pe. Jesuíno do Monte Carmelo. Um dos pontos altos da procissão acontece em frente à igreja do Bom Jesus, quando a imagem do Senhor dos Passos encontra-se com a de Nossa Senhora das Dores, que seguiu até ali por outro caminho, e tem lugar o Sermão do Encontro. O encerramento se dá em frente à própria igreja do Carmo, com o Sermão do Calvário.
O Ofício de Trevas, adaptação das matinas e laudes de Quinta-feira Santa, como de costume, será realizado no sábado, 28 de março, às 19:30 horas, na igreja do Carmo. E no dia seguinte, Domingo de Ramos, em lugar da Procissão de Passos que vinha acontecendo nesse dia, terá lugar uma das novidades deste ano – a Procissão do Triunfo. Com início às 19 horas, nela são conduzidas pelas ruas do centro histórico as centenárias imagens da paixão, veneradas nos altares laterais da igreja do Carmo. Embora as imagens reflitam o sofrimento, a celebração tem um caráter triunfal, enaltecendo a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, de certa forma prolongando o espírito das diversas procissões de ramos realizadas pelas igrejas durante o dia. A última edição da Procissão do Triunfo foi em 1955!
Já dentro do Tríduo Pascal, às 22 horas de Quinta-feira Santa, 2 de abril, sai da igreja do Carmo a Procissão do Fogaréu, que simboliza a prisão de Cristo e que foi recuperada em 2025 após mais de 130 anos. O nome “fogaréu” se dá devido à presença dos “farricocos”, homens encapuçados e portando tochas, representando os soldados da Sinagoga que saem pela cidade no meio da noite em busca de Cristo para prendê-lo, encontrando-o rezando no Horto de Getsêmani. Retornando ao Carmo, a imagem do Senhor da Prisão é recolhida e as portas da igreja, imediatamente fechadas.
Outra novidade de 2026 é a Segunda Procissão do Senhor Morto – ou do Enterro, que sairá da igreja do Carmo tão logo recolhida a procissão da Matriz da Candelária, que inicia às 20 horas. Precedida do Sermão do Descendimento da Cruz, no adro da igreja às 21:30 horas, o esquife do Senhor Morto e a imagem de Nossa Senhora das Dores percorrerão novamente as ruas do centro da cidade.
Finalmente, as celebrações paralitúrgicas da paróquia são concluídas com a Procissão da Ressurreição, que sai da Matriz da Candelária às 6 horas do Domingo de Páscoa, com ponto alto em frente à igreja do Patrocínio, onde as imagens de Cristo Ressuscitado e Nossa Senhora da Alegria se encontram, e um novo (e naturalmente jubiloso) Sermão do Encontro é proferido.
Sebo nas canelas! Vamos participar e viver intensamente nossa Semana Santa!20




