Compositor de música sacra em Itu
Compartilhe

Desde que se tornou Mestre de Capela em Itu, Tristão Mariano da Costa também, por força do contrato de prestação de serviço à paróquia, transformou-se em compositor de música sacra. A sua formação musical e cultural permitia essa atuação. Ele dominava perfeitamente a arte do contraponto e da harmonia, conhecia obras célebres da música europeia, inclusive com cópias impressas em sua coleção pessoal. Chegou até nós a partitura da Missa de Requiem escrita por Giuseppe Verdi, uma das grandes obras da música sacra do período, primeira edição de 1874, com redução para coro e piano, com assinatura de propriedade de Tristão, hoje na coleção do Museu da Música – Itu.
Para a festa de Nossa Senhora das Dores, em 1872, logo após a nomeação para a função de Mestre de Capela, Tristão compôs a sua primeira Missa, com Kyrie e Gloria. Era costume brasileiro chamar a essas duas partes fixas da celebração de “Missa”. As demais partes (Credo, Sanctus e Agnus Dei) eram chamadas “Credo”. Em 1873 ele escreveu a segunda Missa, para a Semana Santa. Escreveu também o Ofício de Domingo de Ramos, incluindo a bênção e Procissão de Palmas e as turbas para a Paixão, ou seja, as interrupções no longo canto do Evangelho, partes do povo.
Em 1874 veio à luz a Missa de Requiem, dedicada à memória de sua mãe, belíssima peça, com trechos de forte dramaticidade, apresentada pelo Vozes de Itu no centenário da morte do compositor, em 2008.
Em 1876, ele escreveu as Matinas para a 4ª Feira Santa, utilizadas no Ofício de Trevas, nove responsórios recuperados pelo Coral Vozes de Itu e apresentados durante a cerimônia por dez anos, desde 2003. Naquele mesmo ano ele escreveu a Missa de Nossa Senhora da Conceição, a sua maior obra para coro e orquestra.
Em 1877, Tristão compôs as Matinas do Espírito Santo, para a solene festa de Pentecostes. Note-se o Te Deum, que tem sido cantado pelo Vozes de Itu em grandes celebrações, por exemplo o seu cinquentenário de sua fundação e o sesquicentenário do Apostolado da Oração no Brasil.
Em 1881, já influenciado pela música lírica italiana, Tristão compôs a Missa dedicada a São Benedito, devoção da Irmandade alocada junto ao Convento Franciscano, composição restaurada pelo Maestro Marcos Júlio Sergl e apresentada pelo Vozes de Itu no sesquicentenário do Colégio São Luís, em seu auditório, na Avenida Paulista.
A sexta missa, última grande obra escrita por Tristão em Itu, era dedicada a São José, seguindo o padrão das demais.
Durante as celebrações da Igreja Matriz, o Mestre de Capela inseria no programa obras de outros compositores, italianos ou ituanos, como Elias Lobo e José Mariano, seu sobrinho. O diálogo entre as obras era comentado pela imprensa local e aguardado pela elite, que apreciava os longos solos, o virtuosismo dos solistas da orquestra, a interpretação geral que colocou Tristão Mariano em lugar de destaque dentre os compositores paulistas de seu tempo.

Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica
do Bom Jesus