Congregação Mariana: opção de vida
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“Ser congregado mariano é muito mais do que trazer uma fita azul ao pescoço: é arregaçar as mangas,

servir sempre e ajudar a construir o Reino de Deus, em comunhão com Cristo e sua Igreja.”

Fico particularmente triste quando sei de congregados marianos que deixaram a Congregação Mariana para se filiar a outros movimentos eclesiais, ou até a trabalhos assistenciais ou filantrópicos ligados a outras religiões, porque achavam a Congregação algo “muito parado”…
Isso me choca profundamente porque começo a pensar em vários dos nossos congregados que não medem esforços para “movimentar” a Congregação. Lembro-me dos membros da diretoria, dos conselheiros, daqueles que abrem mão do descanso e até de afazeres pessoais para se dedicar a uma de suas atividades; dos que se doam ao ambulatório, aliviando a dor do próximo através da doação de remédios; dos que visitam nossos doentes; dos que fazem o possível e às vezes o impossível para editar o Salve Maria, oferecendo aos leitores algo que lhes possa ser útil para a formação e crescimento na vida espiritual. Lembro-me dos que se dedicam a manter viva a nossa banda, para que ela continue abrilhantando procissões e eventos cívicos e culturais da nossa cidade; dos que recentemente organizaram e trabalharam na quermesse da festa de Nossa Senhora do Carmo, proporcionando o convívio da comunidade e ajudando a levantar fundos para a manutenção da nossa igreja. Enfim, penso em todos aqueles que não precisam de convite para realizar qualquer trabalho na Congregação: veem o que tem que ser feito… e fazem!
Saio de Itu e lembro-me também daqueles que por este Brasil afora se dedicam e até se sacrificam pelas Congregações Marianas. Daqueles que nos momentos difíceis por que passaram nos anos 70 e 80 mantiveram-se firmes, até que tudo se estabilizasse novamente.
Tenho a ligeira impressão de que nenhum destes aos quais me referi julgam serem as Congregações Marianas algo “parado”!
Alguns ainda dizem que já fizeram muito pela Congregação e que agora não se sentem mais motivados a participar de suas atividades. Não resta dúvida de que o cansaço, a idade avançada e muitas vezes a doença dificultam a participação e o trabalho de alguns congregados, mas onde está o “servir sempre” proferido diante do altar e da imagem da Virgem Santíssima; onde está a “fidelidade por toda a vida” volta e meia entoada com garbo em nosso hino?
Luiz Zanetti, grande congregado mariano do Carmo, já falecido, e que muito se dedicou à Congregação, tendo sido inclusive o seu presidente por vários anos, aos 93 anos chorava toda vez que o visitávamos porque, pela idade avançada e com a saúde debilitada, não tinha mais condições de frequentar nem trabalhar pela Congregação. Isso é zelo apostólico! Isso é ser congregado mariano!
Em novembro de 1998, durante sua assembleia anual em Aparecida, a Confederação Nacional das Congregações Marianas do Brasil lançava o slogan “Congregação Mariana, uma opção de vida”. De fato, ser congregado mariano não deve ser uma casualidade, uma conveniência, mas sim uma opção, livre e generosa, de trabalhar pelo Reino de Deus, santificando-se e possibilitando que também outros se santifiquem. E, é claro, contando para isso com a valorosa intercessão de Nossa Senhora, cuja devoção é o motor que movimenta todas as Congregações.
O congregado é aquele que não mede esforços para ver concretizado o plano de Deus, que nos é transmitido pelo Evangelho. É aquele que põe para funcionar esse motor que é a devoção mariana. É aquele que permanentemente está exclamando com São Paulo: Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho! (I Cor 9, 16)
A Congregação Mariana do Carmo, prestes a comemorar 104 anos de existência, passa por mais um momento forte de renovação, que é a mudança de diretoria. Após seis anos sob a gestão diligente do congregado André Camargo Arruda, cujo maior desafio sem dúvida foi manter de pé o grupo em meio e após a pandemia do coronavírus, volta a ter como presidente o congregado José Wagner Campopiano, cuja experiência e dedicação já são fartamente conhecidas.
Assim, como em todo momento de mudança, de renovação, cada congregado é conclamado a rever seu compromisso com a Congregação. Aqueles que já a frequentam devem avaliar como tem sido sua postura no grupo e com o que mais poderiam contribuir para que ela continue cumprindo a sua missão de levar Cristo e Nossa Senhora ao mundo. E aqueles que eventualmente dela se afastaram, que avaliem a possibilidade de retornar ao grupo, fazendo valer a consagração que um dia fizeram à Mãe de Deus. Todos cientes de que ser congregado mariano é muito mais que pendurar uma fita azul no pescoço: é arregaçar as mangas e lançar mãos à obra, ajudando na construção do Reino, em constante sintonia com Cristo e com Sua Igreja.