Segunda carta de Madre Teodora à superiora (terceira parte)
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Esta parte da segunda carta da Irmã Maria Teodora é reveladora dos primeiros tempos da comunidade das Irmãs de São José em Itu. Elas ainda viviam no prédio da Santa Casa de Misericórdia, casa provisória, afinal o hospital não havia sido aberto e as obras de construção, junto à Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, não estavam concluídas. O edifício da Santa Casa também estava inconcluso, daí viverem com algumas alunas de maneira bastante provisória. Aqui nota-se a pobreza material dos primeiros tempos, os recursos reduzidos, sacrifício desejado a quem fez voto de pobreza, além da fácil adaptação à alimentação brasileira, o arroz, a farinha e até o nosso pirão. Traz também as impressões sobre o inverno de Itu que, naquele tempo, tinha frio.

“Agora, não desejaria estar na Europa; sinto-me tão bem em minha nova posição. Dir-vos-ei, minha boa mãe, que fiquei verdadeiramente edificada com a nossa pequena Comunidade de Itu: o fervor, o silêncio, a regularidade, tudo ali prega a virtude e a santidade.
As pensionistas, que ainda são apenas oito (pois nossas Irmãs só há pouco obtiveram permissão para abrir o pensionato), demonstram uma atenção e uma docilidade admiráveis. Vê-se realmente a bênção do Céu sobre esta missão. Isso não é de admirar quando se considera a paciência, a humildade e, em uma palavra, a santidade da boa Irmã Justina. Eu sabia que ela era uma religiosa fervorosa, mas não esperava encontrar uma virtude tão heroica. Agora começa-se a apreciá-la como merece. Quanto a mim, sinto-me feliz demais por ser sua filha, e creio que todas as outras partilham desse mesmo sentimento.
Agora que estou um pouco restabelecida das fadigas da viagem, aplico-me o quanto posso a tornar-me uma boa e santa religiosa. Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, não se pode fazer nenhum bem sem isso.
Além disso, dedico-me ao estudo da língua; o número de pensionistas aumenta a cada dia, e há solicitações de alunas externas de todas as partes. Se assim continuar, em pouco tempo teremos um grande número de alunas. A cidade de Itu, por si só, é tão grande quanto Chambéry. Isso é um forte estímulo para me empenhar no estudo.
Esquecia-me de dizer que, embora sejamos muito pobres, não vivemos como selvagens: o pão, o vinho e os ovos não estão totalmente ausentes da mesa. Acostuma-se com tudo: a farinha, o pirão e o arroz aparecem em todas as refeições, e não nos desgostamos disso. Comemos laranjas à vontade, que fazem as vezes de bebida.
Talvez não queirais acreditar que, mesmo com meias de lã e saias forradas, trememos de frio; à noite, duas cobertas de lã e um cobre-pés não são suficientes. Vedes, minha boa mãe, que nem sempre faz calor no Brasil; houve até geada há alguns dias. Ainda assim, embora estejamos no inverno, o campo permanece verde como na Europa, no mês de junho”.

Irmã Luiza Rodrigues I.S.J.
Luís Roberto de Francisco