Brasil Diversificado
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Olhemos com muito carinho para este enorme país chamado Brasil com sua gente diferente em cada região. Todos nós conhecemos as “tradições gaúchas”, a “tradicional família mineira”, o “espírito gozador do carioca”, e os irmãos nordestinos, que mesmo longe do seu torrão natal, mantém suas tradições com saudade das coisas que deixaram lá. Nós paulistas não temos o costume de falar das coisas próprias da nossa terra, será que é porque não temos tradições ou não temos tempo para essas coisas?
Independente dos motivos de cada um, convém lembrar de quando recebemos em Itu a visita de Dom Bertrand de Orleans e Bragança, atual chefe da Casa Imperial do Brasil – durante o IIº Encontro Monárquico, Histórico e Cultural Itu/SP em março de 2009 – para celebrar os 186 anos do nosso título de “Fidelíssima”.
Para quem não sabe, Itu foi considerada “Fidelíssima” e recebeu este título oficial em 24 de fevereiro de 1823 do Imperador D. Pedro I, devido ao apoio incondicional da nossa cidade à Coroa Portuguesa como também, à causa da Independência do Brasil, em um momento em que outras regiões brasileiras demonstravam resistência.
Durante a visita de Dom Bertrand, foram apresentados à Sua Alteza Imperial, entre outros, alguns aspectos da nossa história e cultura, como a casa onde se hospedou seu bisavô, D. Pedro II.
Sobre nossa cultura, o Coral Vozes de Itu cantou músicas dos nossos compositores como Elias Álvares Lobo, Tristão Mariano da Costa e Padre Jesuíno do Monte Carmelo numa singela cerimônia na Igreja do Patrocínio. Ao encerar a apresentação, Sua Alteza agradeceu e disse: “O país que não preserva o passado não tem futuro”.
Não se trata de ser a favor ou contra a monarquia, porém, não podemos deixar de reconhecer que há muito tempo, não temos governantes da envergadura intelectual do Príncipe Visitante, tampouco como de seu sobrinho Deputado Federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança.
De todo modo, além de Fidelíssima à Monarquia, Itu foi também palco da Convenção Republicana, portanto, não nos faltam motivos para exaltar nossas tradições históricas que influenciaram todo o país. Convém também lembrar que o terceiro Presidente da República, o primeiro civil e eleito por voto popular, foi o ituano Prudente de Moraes.
E se quisermos voltar ainda mais no tempo, veremos a figura do bandeirante paulista, Domingos Fernandes que fundou esta cidade junto com seu genro Cristóvão Diniz. De que maneira o fizeram? Construíram uma capela dedicada à Nossa Senhora da Candelária, ainda hoje nossa Mãe Admirável, Padroeira e Rainha, também conhecida como Nossa Senhora da Luz ou das Candeias. Candeia significa vela ou luz, luz de Jesus Cristo, que ilumina os caminhos de todos nós.
Para quem não sabe, a origem da celebração das Cadeias está ligada à tradição judaica de 40 dias após parto das mulheres, originada em Tenerife (Ilhas Canárias Espanholas) entre 1392-1400. Lá que nasceu São José de Anchieta em 1534 que, com sua dedicação de jovem de vinte anos, ajudou a fundar o Colégio e a Cidade de São Paulo.