14º Domingo do Tempo Comum

Diác. Paulo Halter
Paróquia Nossa Senhora da Candelária
“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso.”
Evangelho (Mt 11,25-30)
Meus irmãos e irmãs, todos os dias somos chamados a meditar a Palavra de Deus por meio da Sagrada Escritura. Neste domingo, percebemos como era difícil anunciar a Palavra naquele tempo. No entanto, vemos também que Jesus não se deixa vencer pelas dificuldades, não desiste de sua missão e, como em tantas outras ocasiões, coloca-se em oração diante do Pai em favor dos seus.
Jesus louva o Pai porque a proposta de salvação oferecida aos homens, rejeitada pelos “sábios e inteligentes”, encontrou acolhida no coração dos “pequeninos”. Contemplamos também a profunda comunhão entre Jesus e o Pai, expressa nas palavras: “Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” Por fim, Jesus dirige-se àqueles que estão cansados e sobrecarregados pelo peso de seus fardos e lhes faz um convite cheio de ternura: “Vinde a mim.”
Irmãos caríssimos, ao refletirmos sobre esta passagem do Evangelho, poderíamos interpretá-la de forma equivocada, imaginando que Deus revela os mistérios do Reino apenas a uma determinada categoria social. Sabemos, porém, que Jesus dá testemunho do Pai diante de todos e que a vontade do Pai é que todos o acolham. Contudo, estabelece-se uma distinção entre os “sábios e entendidos” e os “pequeninos”. Os sábios e entendidos representam aqueles que se tornam autossuficientes, acomodados em seus privilégios e resistentes à mudança. Os pequeninos, por sua vez, são os pobres, os simples, os necessitados e todos aqueles que depositam sua esperança em Deus e anseiam por um mundo mais justo e fraterno.
O Pai não esconde o Reino dos sábios e inteligentes; antes, protege-o daqueles que, dominados pela arrogância e pelo orgulho, recusam-se a acolher um conhecimento que ultrapassa os limites da comprovação científica: o conhecimento da fé.
Ao concluir sua oração, Jesus reafirma sua íntima união com o Pai, fonte de toda a sua revelação ao mundo. Em Deus, conhecer e amar são realidades inseparáveis. A revelação de Jesus manifesta-se em suas ações libertadoras; é no encontro com sua prática, na aceitação e adesão ao seu projeto de vida, que nossos olhos se abrem para reconhecer que o Pai age no Filho.
Depois de sua ação de graças, Jesus, conhecendo profundamente o coração humano e sua necessidade de repouso, tanto físico quanto espiritual, dirige a cada um de nós este convite consolador:
“Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”
Amados irmãos, carregar o fardo naquele tempo significava viver sob o peso das exigências impostas pelos poderes políticos e religiosos. Não é muito diferente dos dias atuais. Nosso fardo torna-se cada vez mais pesado quando nos afastamos de Jesus, quando cedemos ao orgulho, ao egoísmo, aos pecados e à falsa ilusão de que podemos tudo sozinhos, esquecendo-nos d’Aquele que nos concede tudo: o Pai.
Que saibamos, portanto, acolher o convite de Cristo, encontrar nele o verdadeiro descanso e aprender de seu coração manso e humilde o caminho da paz, da confiança e da esperança.
Deus abençoe a todos!


