3º Domingo da Páscoa

Coluna organizada por Nilo Pereira, segundo a exegese do Pe. Fernando Armellini, scj
Leituras iniciais do Terceiro Domingo da Páscoa
Sugerimos que antes de lerem estes comentários, façam as leituras na Bíblia
1ª Leitura (Atos 2,14.22-33)
Também hoje, como no dia da Páscoa, a primeira leitura nos apresenta um trecho tirado do discurso de Pedro. Lendo o que a liturgia então nos propôs (At 10,38) e que o Evangelho de hoje nos diz dos discípulos de Emaús (vers. 19-20), notaremos de imediato que a vida de Jesus é sempre apresentada com as mesmas palavras. Como explicar essa coincidência?
Não se trata de registrar com exatidão as palavras de Pedro (Cléofas), mas de resumir a catequese a respeito de Jesus como era ensinada nos primeiros tempos da Igreja. Provavelmente este é um texto curto que era aprendido de cor por todos os catecúmenos durante a preparação ao Batismo.
A forma como Jesus terminou a sua vida provoca escândalo. Como é possível que um justo tenha acabado assim?
Pedro responde que a morte de Cristo estava enquadrada no plano de Deus (vers.23). O que, para os olhos dos homens, foi uma humilhação, uma ignomínia, aos olhos de Deus é uma vitória.
Neste ponto Pedro usa uma expressão muito forte, dizendo que “Deus obrigou a morte a dar à luz” (vers.23-24). Os antigos pensavam que os fetos estivessem “amarrados” no ventre materno por laços que, no momento o parto, desatavam-se. Jesus estava como que amarrado no seio da morte. Deus interveio para libertá-lo e assim causou o seu nascimento. Este é o maior prodígio, através do qual, Deus revelou o seu poder: do seio da morte trouxe a vida.
2ª Leitura (1Pedro 1,17-21)
Continua a catequese do batismo, iniciada no domingo passado. Pedro diz aos recém-batizados: agora vós podeis chamar a Deus de “Pai” porque dele recebestes uma vida nova. Esta é uma realidade maravilhosa, mas comporta também graves responsabilidades porque é necessário que a vida se adapte a esta nova condição. Deus de fato não faz acepção de pessoas e, diante dele, o que tem valor é o que se faz (vers. 17).
Para destacar mais ainda o que vem dizendo, Pedro continua lembrando aos novos batizados que antes eles eram como que escravos do pecado, que foi necessário resgatá-los e que alguém teve que pagar o preço dessa libertação. O preço não foi fixado em dinheiro ou em bens materiais, mas sim no sangue de Cristo.
O cordeiro pascal, branco, sem manchas nem defeitos, que o povo de Israel sacrificava durante a celebração da Páscoa, cordeiro que com seu sangue salvara os israelitas do Egito, era somente uma imagem de Jesus. Ele é o verdadeiro cordeiro sem mancha, é o seu sangue que resgata os homens do mal.
Com estas exortações Pedro pretende estimular os recém batizados a levar uma vida santa, mesmo quando não é fácil, para não tornar inútil o sacrifício de Cristo.




