Um protesto católico contra o deboche  na Sapucaí
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Não foi novidade para ninguém que o partido dito dos trabalhadores, mais uma vez mergulhado em escândalos de corrupção que superam os de suas gestões anteriores, promovesse, com dinheiro público, palpites, incentivo e prestígio pessoal, na passarela mais importante do país, no Rio de Janeiro, um desfile de carnaval enaltecendo seu líder maior. Em irrefutável afronta à lei eleitoral, o desfile constituiu uma campanha antecipada do atual ocupante da Presidência da República para o pleito de outubro próximo, como tentativa de aliviar o desgaste pelo qual passa, ao final de um governo desastroso e que legará ao país um rombo bilionário, sem falar do retrocesso moral monstruoso que impôs à nação.
Também não foi novidade a presença, em dito desfile, de uma ala representando a família brasileira, com a foto de pai, mãe e dois filhos numa lata de conserva, em claríssima afronta à instituição, eminentemente conservadora e cultivadora dos valores cristãos. O PT, muito mais que um partido político, é uma poderosa organização que, aplicando fielmente a estratégia gramsciana, infiltrou-se nos mais variados campos da sociedade, notadamente o político, midiático, judicial, educacional, artístico e quiçá o religioso. Ou seja, cooptou toda uma minoria falante – e que não mede esforços para multiplicar sectários e para fazer barulho – em detrimento de uma esmagadora maioria conservadora, mas silenciosa e que só agora, nos últimos anos, acordou e começou a se instruir, conscientizando-se da cilada em que foi metida. E a se manifestar, situação que enfureceu a esquerda que teve de lançar mão de censura, perseguição e até prisão de opositores, utilizando-se do aparato estatal – especialmente judiciário – sob a hipócrita alegação de fazê-lo em nome da “defesa da democracia”.
Esse ressurgimento de lideranças conservadoras no Brasil – e em todo o mundo – colocou em polvorosa a esquerda que até então se mantinha numa zona de conforto enquanto, no caso do Brasil, a população acreditava que o PT era de esquerda e que o PSDB, de direita, quando, na verdade, estes e outros partidos satélites seus, constituíam faces de uma mesma moeda, imbuídos de um mesmo plano revolucionário.
Mas, como dizíamos, nenhuma novidade até aqui: nem a utilização escancarada da máquina pública para promoção do atual mandatário, sob o beneplácito da alta corte eleitoral, por ele cooptada, nem o deboche à família, que segundo os planos de Deus é constituída por homem, mulher e filhos.
O que chama a atenção é que, nos dias seguintes ao desfile ultrajante travestido de manifestação artística, praticamente toda a imprensa escrita e falada noticiou o fato como tendo sido uma “afronta à população evangélica”. O que me fez concluir, com tristeza, que os protestantes, notadamente os pentecostais, abraçaram o tema e hoje se firmam numa posição de defesa da instituição familiar de modo a ocupar um espaço outrora inegociável para a Igreja Católica. Tomei a iniciativa de buscar na internet e nas redes sociais e, até a conclusão deste artigo, não encontrei uma única matéria supondo que a escola de samba, com aquela presepada toda, insultaria também a nós, católicos.
Por seu turno, independente das sem dúvida numerosas manifestações de repúdio por parte de católicos leigos nas redes sociais, também não encontrei nenhuma nota emitida pela conferência episcopal brasileira, nem pela arquidiocese do Rio de Janeiro, nem por outras (arqui)dioceses ou ordens religiosas, nem tampouco por qualquer autoridade eclesiástica de forma individual. Isso enquanto pululam protestos de pastores e dirigentes de outras religiões…
Por que é que hoje, quando se fala em defesa da família, da vida em relação ao aborto, do casamento exclusivamente entre homem e mulher, da oposição à ideologia de gênero, a imprensa logo se refere aos evangélicos como bastiões aguerridos de tais temas? E, no caso do Poder Legislativo, às chamadas “bancadas evangélicas”? Onde foi que nós, católicos, a quem confiada a defesa da Fé e da Moral pelo próprio Cristo, estamos falhando?
Onde está aquela Igreja que, em 1964, com o Brasil sob forte ameaça comunista, promoveu e participou da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, mobilizando e arrastando milhares de pessoas no país, e que hoje sequer se manifesta contra esse escárnio criminoso à Fé e à instituição familiar, que é a base da sociedade, ou contra os inúmeros presos e exilados políticos que o Brasil hoje vergonhosamente ostenta ao resto do mundo? São apenas perguntas que clamam por respostas no coração angustiado dos católicos desta Terra de Santa Cruz.