O menino Tristão Francisco

O menino Tristão Francisco
Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica do Bom Jesus
Na documentação mais antiga sobre Tristão Mariano da Costa, ele aparece como Tristão Francisco da Costa, variação entre nomes de família numerosa, em gerações diversas, gente de Itu de quatro costados. O pai era o cirurgião Francisco Mariano da Costa e o avô, o monçoeiro Joaquim Mariano da Costa, que foi de Itu para as minas de Cuiabá, manteve serviço de música por lá e não voltou. A família ficou em situação difícil em Itu, nos primeiros anos do século XIX. A mãe de Francisco, avó paterna de Tristão, Anna da Costa, construiu casa à sombra da Igreja de Nossa Senhora do Patrocínio, uma das primeiras a adquirir terrenos que o Padre Jesuíno vendeu naquele Largo, a fim de reunir recursos à construção da igreja. Este foi o lar dos Mariano da Costa, onde o menino Tristão nasceu a 6 de junho de 1846.
Francisco Mariano, quando moço, foi vítima de perseguição política do capitão mor de Itu, Vicente da Costa Taques Goes e Aranha, como narra Francisco Nardy, alistado às milícias à força, mesmo sendo arrimo de família. No meio militar estudou medicina e habilitou-se a “sangrar, sarjar, lançar ventosas e sanguessugas”.
Francisco Mariano se casou com Maria Teresa do Monte Carmelo, filha do mestre carapina Antonio Luís Penalva, afamado construtor de estruturas de telhados. A mãe era Francisca Rosa de Santana.
Francisco Mariano e Maria Teresa tiveram treze filhos: Joaquim Mariano, professor de segundas letras, latim e francês, Francisco Júnior, professor no Colégio Ituano, Elisa Eufrosina, casada com Elias Lobo, Tereza de Jesus, José Mariano, Francisca Leopoldina, pianista, Jesuína, Joaquina, Carolina, Maria Angélica e Tristão, o mais novo.
O menino cresceu junto do Largo do Patrocínio, frequentando aquela igreja no tempo dos filhos do Padre Jesuíno, Padres Elias e Simão Stock, conhecendo ainda os resquícios da congregação que reunia diversos místicos, dentre eles o Padre Manoel da Silveira.
A casa da família era vasta, amplo quintal que se juntava a outro, com plantação de chá, comum em Itu daquele tempo. A propriedade foi adquirida, em 1875, pela Madre Maria Teodora Voiron, a fim de instalar o Externato São José para meninas de Itu, para meninos e órfãos. Somente em 1930 a casa foi demolida para a construção do novo externato, atual Campus I do CEUNSP.
Tristão escreveu uma carta ao sobrinho, deputado Dr. Antonio Álvares Lobo, em que trata detalhes dessa família numerosa, para que o descendente, interessado nas genealogias, conhecesse a sua gente. Este é um dos perfis de Tristão Mariano, memorialista, que gostava de guardar notícias da própria família, servindo-se das informações para artigos que escrevia sobre Itu.
A família Mariano da Costa fazia parte da classe média urbana, entre fazendeiros e capitalistas e os empobrecidos. Com a morte dos pais, foram divididos os bens. Tristão se tornou proprietário de parte do imóvel, recebeu um escravizado de nome Severo, e recursos com os quais começou a vida. Toda essa gente era branca.




