28º Domingo do Tempo Comum
Diác. Valdeci Florentino Santo
Paróquia Nossa Senhora Aparecida
“ Por que muitos são chamados, e poucos são escolhidos.”
Evangelho (Mt 22,1-14 )
O Evangelho deste domingo apresenta o Reino de Deus como um banquete de casamento. O Senhor prepara a festa e convida todos a participar. Essa imagem revela seu desejo de nos reunir em comunhão, oferecendo a alegria de sua presença e a esperança da salvação.
Entretanto, os primeiros convidados recusam o chamado. Ocupados com seus negócios e interesses, seguem outros caminhos. A festa está pronta, mas eles não encontram espaço para acolher o convite.
Também nós precisamos examinar nossas prioridades. Quantas vezes reservamos tempo para tantas atividades, mas adiamos a oração, a participação na comunidade e o cuidado com os irmãos! Nossas ocupações podem ser necessárias, porém não devem fechar nosso coração à presença de Deus.
Diante da recusa, o rei envia seus servos às encruzilhadas. Eles devem convidar todos os que encontrarem, maus e bons. O salão se enche, mostrando que o chamado do Senhor alcança pessoas diversas.
Essa atitude questiona nossos preconceitos. Frequentemente, julgamos alguém pela aparência, pela situação social ou pelos erros cometidos. Deus enxerga além dessas classificações. Seu amor alcança os esquecidos, os feridos e aqueles que parecem não ter lugar entre nós.
Isso não significa indiferença diante do pecado. A misericórdia acolhe a pessoa e a chama à conversão. Ninguém está impedido de começar novamente, mas todos somos convidados a permitir que a graça transforme nossa vida.
Por isso, Jesus fala também da veste nupcial. Ela expressa a resposta ao convite recebido: um coração disposto a amar, perdoar, praticar a justiça e viver com coerência a fé professada.
Estar na igreja é importante, mas precisamos levar o Evangelho para nossas escolhas. A celebração deve continuar em casa, no trabalho e nas relações. A veste da conversão se revela quando pedimos perdão, reparamos uma injustiça e acolhemos quem necessita de ajuda.
Para responder ao Senhor, precisamos de um coração pobre e disponível. Reconhecer nossa necessidade de Deus nos liberta da autossuficiência. O desapego nos ajuda a partilhar e a perceber que os bens recebidos também podem servir aos irmãos.
Precisamos igualmente responder com gratidão. A salvação é dom, e nossa colaboração nasce do amor. Não vivemos a fé como uma contabilidade de méritos, mas como filhos acolhidos pelo Pai.
Na Eucaristia, esse convite ganha uma expressão especial. Cristo reúne sua comunidade, alimenta com a Palavra e oferece seu Corpo e seu Sangue. A Missa dominical é encontro com o Senhor e compromisso renovado com os irmãos.
Ao participarmos dessa mesa, lembremos daqueles que precisam encontrar acolhimento em nossas comunidades. Quem experimenta a misericórdia deve aprender a oferecê-la. Quem recebe o pão da vida deve crescer na disposição de repartir.
Peçamos a Deus um coração atento, humilde e generoso. Que nossas desculpas não nos afastem de sua presença e que nossa fé produza gestos concretos de caridade.
O Senhor nos chama à sua festa. Acolhamos seu convite com alegria e vistamos a roupa do amor. Assim, nossa vida testemunhará a esperança de quem se sabe chamado, acolhido e amado por Deus.
Amém.

