A nossa vã  filosofia
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“Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.” — William Shakespeare
Estava lendo uma matéria sobre o filósofo Arthur Schopenhauer, nascido em 1788 e falecido na Alemanha, em 1860. “Que coisa mais antiga!”, dirão alguns. No entanto, fiquei intrigado ao perceber como muitos de seus conceitos sobre o comportamento humano de sua época guardam semelhanças com o mundo atual.
Em uma de suas obras, ele defende que a realidade é movida por uma vontade incessante e sem sentido, origem do sofrimento, da angústia e de muitas ações humanas.
Vejamos algumas de suas frases:
“A vida é uma constante variação entre a ânsia de ter e o tédio de possuir.”
“A solidão concede ao homem uma vantagem dupla: a de estar consigo mesmo.”
“Um homem pode ser ele mesmo somente enquanto está sozinho; e, se ele não gosta da solidão, não amará a liberdade, pois somente quando está sozinho é realmente livre.”
“O segredo de uma velhice agradável está apenas na assinatura de um honroso acordo com a solidão.”
Creio que o filósofo não queria dizer que o homem ou a mulher deva viver de forma solitária, mas que saiba usufruir momentos de recolhimento para analisar a si mesmo, sua vida e seus atos. Perguntas como: “Sou aceito pelos outros como sou?” ou “Eu aceito os outros como são?” podem surgir nesses momentos.
Seria ele um pessimista? Talvez um ateu? Sua visão sobre a religião pode ser definida como uma forma de ateísmo religioso. Apesar de suas críticas à teologia, o tema religioso está presente em sua obra.
Schopenhauer via na arte — especialmente na música — uma das principais formas de aliviar a dor da existência diante da angústia humana. Poderíamos dizer que a música que ouvimos atualmente cumpre esse papel?
Enfim, são tantas as perguntas que podemos fazer apenas quando estamos sós. Eu diria que, neste mundo tão estranho em que vivemos, com inundações aqui, incêndios ali, furacões acolá, guerras em diversas regiões, assassinatos, corrupção e ambições desmedidas — sinais dos tempos? Como costuma perguntar nosso estimado padre Enéas Bête — deveríamos aproveitar momentos de silêncio e reflexão para questionar nossa participação nesse mundo e nossa adesão ao projeto de Deus.
Temos convicção de que somente por meio d’Ele, de seu Filho unigênito, Jesus Cristo, Nosso Senhor, e da Igreja que Ele nos deixou, poderemos reencontrar a plenitude da humanidade, marcada pelo amor, pela paz, pela fé, pela esperança e pela caridade? Ou preferimos permanecer comodamente sentados, iludidos por falsos profetas, aguardando o dia em que a tecnologia dominará todas as coisas? Lembremo-nos do primeiro mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas.
Ah! E não podemos esquecer da Inteligência Artificial, sobre a qual o Papa Francisco já nos alertava. Ela tem “artificial” no nome, mas não possui coração como nós. Que o extraordinário avanço da ciência nos traga também, em nome do Senhor, a sabedoria necessária para governá-la, e não para nos tornarmos reféns dela.

Assim seja!