Um mês dedicado  à Eucaristia
Compartilhe

Junho é o mês do Sagrado Coração de Jesus. O coração é a parte do ser humano que exprime todo o seu sentimento, especialmente o amor; o coração é o símbolo do amor.
A maior prova de amor dada por Cristo à humanidade foi a Sua morte de cruz, deixando-se a nós como alimento, na Eucaristia, sustento para nossa vida: Ecce panis angelorum, factus cibus viatorum – Eis o pão dos anjos, feito alimento dos caminhantes, como nos diz o hino composto por Santo Tomás de Aquino. Daí poder-se dizer que o mês de junho é um mês eucarístico, mesmo porque nele também geralmente é celebrada uma das mais belas e comoventes solenidades do ano litúrgico – a festa do Corpo e Sangue de Cristo, quando os católicos saem às ruas levando o Santíssimo Sacramento em procissão e testemunhando publicamente sua fé na presença real de Cristo na sagrada Hóstia.
Quando apareceu a Santa Margarida Maria, no século XVII, no mosteiro de Paray-le-Monial, na França, o próprio Cristo, mostrando à religiosa o peito aberto e nele seu coração ferido,coroado de espinhos e encimado de chamas, exclamou: “Eu tenho sede, uma sede ardentíssima, de ver meu coração amado pelos homens no Santíssimo Sacramento”. Por isso a maior parte das devoções ao Divino Coração são realizadas diante do Santíssimo e em união a Cristo que vive na Hóstia santa.
Portanto, a Eucaristia, verdadeiro dom de amor, constitui a essência da devoção ao Sagrado Coração de Jesus e o centro da vida da Igreja. É nesse maravilhoso sacramento que a Igreja encontra forças para continuar a missão salvífica iniciada pelo próprio Cristo.
Na carta encíclica Ecclesia de Eucharistia, de 2003, o Papa São João Paulo II, de maneira especialmente doutrinária, denunciou corajosamente os abusos que vem ocorrendo nas celebrações da missa nos nossos dias, seja pelo clero, seja pelos fiéis. No documento, o Papa também reafirmou a impossibilidade de participação no Sacramento por parte de pessoas que vivem sob pecado grave, como é o caso, por exemplo, dos casais unidos ilegitimamente perante a Igreja e dos membros de seitas secretas, como a maçonaria.
Na época, não faltaram críticas ao posicionamento do Papa, que nada mais é que o
ensinamento contido na própria Sagrada Escritura: “Quem come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor” (ICor 11, 27). Como guardião maior da fé, missão que lhe fora outorgada pelo próprio Cristo, João Paulo II não fez outra coisa que não alertar para a importância e dignidade do sacramento da Eucaristia e pelo respeito que, como tal, lhe é devido.
Aproveitemos este mês de junho – o mês do amor divino – para melhor honrar a Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, comungando mais vezes, visitando-o nos sacrários, dedicando-lhe uma hora santa ou ao menos alguns momentos em sua companhia… E, principalmente, tomando consciência da importância da Eucaristia em nossa vida de cristãos, confiados nas palavras de Cristo que disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente” (Jo 6, 51).
A Santa Margarida Nosso Senhor completou: “Esta sede me devora e não encontro ninguém que me procure saciar como desejo, dando-me amor por amor”. Procuremos, assim, consolar o coração ferido de Jesus levando autêntica vida eucarística e acreditando que sempre que o quisermos encontrar palpitando de amor por nós, o acharemos na Eucaristia, onde estará também o seu coração.