Ainda Estou Aqui

Não, não vou falar do recente filme brasileiro (originário de um livro) que fez tanto sucesso.
Simplesmente lembrei-me de um amigo, que chamarei de João, morava com sua namorada, que eu chamarei de Maria, e foram surpreendidos pela notícia que ela estava grávida, notícia comum para muitos casais nesses “novos” tempos, não? Ela era católica do tipo “não praticante”, mas estava decidida que queria aquela criança, nem pensar na possibilidade de interromper a gravidez. Aleluia!
João não tinha nenhuma religião, era advogado e estava sempre viajando, disse que gostaria realmente de casar com ela para cuidarem daquela criança e de outras que eventualmente teriam.
Casamento, porém, não estava nos planos de Maria, porque apesar de amá-lo, sabia de sua dedicação ao trabalho, que causava frequentes ausências de casa. Não queria pensar em atingir um ponto sem retorno para eventual divórcio.
O tempo passou e um lindo menino veio ao mundo. Bonito e saudável como os pais, trouxe algumas mudanças nas rotinas daquela casa. João decidiu que viagens de trabalho seriam somente para tratar de assuntos que exigissem toda sua experiência, passando para outros funcionários assuntos menos complexos, e disponibilizando-se mais para orientá-los convenientemente, quando necessário.
Ela lembrou que deviam providenciar o batismo do menino e foram à igreja onde o diácono que os atendeu perguntou evidentemente se eram casados. “Não? E por que não casam? Algum de vocês é divorciado? Não? Há qualquer impedimento para casarem? Qual é o motivo então?”
Maria levantou-se, agradeceu e virou as costas, saindo imediatamente de igreja. Logo depois João veio me perguntar “por que, para jogar um pouco de água na cabeça de uma criança há tanta exigência?” Quantos de nós já ouvimos esse tipo estapafúrdio de pergunta?
Eu estava perfeitamente consciente que não havia tempo nem capacidade de minha parte para iniciar uma catequese, partindo do zero, para um adulto que não recebeu de seus pais um mínimo sobre religião. Lembrei simplesmente que, em qualquer direção que olharmos, inclusive para a bandeira do Brasil, somos advertidos que “somente onde houver disciplina (ordem) haverá respeito (progresso)”. (eu me contive para não dizer que a Igreja não é a casa de mãe Joana).
Ao aproximar-se o Natal, João disse que compraria um anel de noivado de presente para Maria. Sua cunhada, irmã de Maria, advertiu-o que não seria conveniente “forçar a barra” sobre assunto casamento, uma vez que o relacionamento deles estava indo muito bem.
Foi então que ele resolveu escrever um bilhete de próprio punho e o colocou num belíssimo estojo especial para joias, como presente de Natal. No bilhete estava escrito: “Estarei sempre aqui, você me escolhendo ou não. Estarei sempre aqui quando você necessitar de mim. Enquanto você me quiser. Sinta-se livre para dizer que não. Posso ir embora, mas nunca para longe. Sou teu para sempre. Feliz Natal!”
De sua parte, Maria deu-lhe um estojo semelhante e, em seu interior havia um belíssimo par de alianças. Realmente a rotina tinha mudado naquela casa. E dois sacramentos foram ministrados logo em seguida: Matrimônio e Batismo.
Deus seja
louvado!

