62ª Assembleia Geral da CNBB avança com foco na  sinodalidade e nas novas Diretrizes da evangelização
Compartilhe

A 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada no Santuário Nacional de Aparecida (SP), vem sendo marcada por um intenso processo de reflexão, escuta e decisões que apontam os rumos da ação evangelizadora da Igreja no país.
Os trabalhos ganharam destaque já no dia 18 de abril, quando, durante coletiva de imprensa, foi apresentado o processo de atualização das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). Na ocasião, dom Leomar Antônio Brustolin ressaltou que o documento não se configura como um plano fechado, mas como orientações que indicam caminhos missionários para a Igreja. O caráter sinodal foi evidenciado como eixo central, fruto de um amplo processo de escuta que envolveu dioceses e diversos organismos eclesiais.
No dia 20 de abril, sexto dia da Assembleia, os bispos aprofundaram a reflexão sobre a sinodalidade e sua implementação prática. Dom Joel Portella Amado apresentou o caminho a ser percorrido até 2028, com etapas diocesanas, regionais e nacional, destacando que “a sinodalidade é uma prática que se aprende praticando”. A proposta reforça a participação de todo o Povo de Deus — bispos, presbíteros, religiosos e leigos — no discernimento e na missão da Igreja.
Ainda na mesma data, a Assembleia concentrou-se na análise do novo Instrumentum Laboris das DGAE, documento central do encontro. Resultado de um processo de quatro anos, o texto recebeu 937 contribuições, demonstrando o amplo envolvimento do episcopado brasileiro. A nova redação busca uma linguagem mais pastoral, simbólica e mistagógica, alinhada ao caminho sinodal da Igreja.
Além das Diretrizes, os bispos também trataram de temas litúrgicos, aprovando propostas da Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos (CETEL), como novos formulários de missas e ajustes no calendário litúrgico. Entre as decisões, destaca-se a transferência da memória de São Carlo Acutis para o dia 13 de outubro, evitando coincidência com a solenidade de Nossa Senhora Aparecida.
Outro momento significativo foi a aprovação, por unanimidade, da mensagem do episcopado ao Papa Leão XIV. No texto, os bispos expressaram comunhão, afeto filial e apoio ao ministério do Sucessor de Pedro, além de manifestarem preocupação com as situações de violência e guerra no mundo, unindo-se ao apelo por uma paz “desarmada e desarmante”.
A nova versão do *Instrumentum Laboris* foi então disponibilizada para nova leitura e ajustes, com previsão de debate e votação final das Diretrizes no dia 21 de abril, consolidando um dos principais objetivos da Assembleia.
A 62ª Assembleia Geral da CNBB segue com sua programação até a próxima sexta-feira, 24 de abril, reunindo o episcopado brasileiro em oração, partilha e discernimento. Ao longo de sua realização, o encontro evidencia uma Igreja em movimento que, à luz da sinodalidade, busca renovar sua ação evangelizadora, fortalecer a comunhão e responder, com esperança, aos desafios do tempo presente.