O homem público Tristão Mariano da Costa

Membro fundador do Clube Republicano de Itu, logo que o Partido Republicano Paulista decidiu pela candidatura de seus membros, além da propaganda, Tristão Mariano apresentou-se à vereança, como fora com seu pai, quarenta anos antes. O PRP, extremamente representativo nos primeiros anos do novo regime, elegeu representantes também no tempo do império, em Itu. Tristão esteve em três legislaturas: 1875-1879, 1883-1884 e 1885-1887; 1892-1894. Lembremos que, nesse tempo, ainda não havia poder executivo, o que só haverá em Itu em 1895, a função de intendente e, posteriormente, prefeito. Portanto, a Câmara também cumpria função administrativa.
Da primeira gestão em que participou como vereador, sabe-se que reagiu à decisão de serem arrancadas as árvores casuarinas do Largo do Bom Jesus, a pedido do Padre Taddei, prontificando-se a substitui-las.
No segundo mandato, o grupo de nove vereadores, notoriamente composto de liberais e republicanos teve, na pauta, algumas preocupações ligadas à saúde pública. Três projetos foram levados adiante, a constituição de um cemitério público fora da cidade, um matadouro público e a reforma do sistema de abastecimento de água, dada a precariedade do serviço. Tristão foi o proponente da questão da água, votou a favor do matadouro, mas foi contra o cemitério público, pois um item da lei proibia o enterramento dos religiosos nas igrejas, somente no cemitério, inaugurado em 1884.
Durante esse ano, Tristão viveu em Jaú, a fim de lecionar em uma fazenda, mas não licenciou-se da Câmara, o que acirrou os ânimos, dado o seu enfrentamento com outros vereadores a respeito do cemitério. Foi substituído. Voltou a viver em Itu, no ano seguinte, e terminou o mandato substituindo um colega afastado. Outra questão que criou melindres foi a Câmara Municipal proibir os dobres de sinos, pois afirmava que criavam ambiente fúnebre à cidade a cada vez que morria um membro das antigas irmandades. Ele se opôs, novamente, para preservar o direito dessas congregações de pessoas.
Em 1892 veio a primeira Câmara de Vereadores da república. Foi projeto seu a denominação do Largo da Matriz em Praça Padre Miguel, homenagem ao pároco-mecenas que havia falecido heroicamente na epidemia de Febre Amarela. Também atuou junto à educação, propondo que a Câmara subsidiasse a criação de uma escola que reunisse todas aulas públicas da cidade, surgindo assim o primeiro Grupo Escolar do Estado de São Paulo, em janeiro de 1893.
Tristão Mariano tentou reverter a questão dos sinos, sem apoio dos demais edis. Em 1894 morreu o bispo de São Paulo, Dom Lino Deodato. O Colégio São Luís e a Matriz dobraram sinos e o pároco e o reitor foram processados pela Câmara. Tristão ficou indignado com a atitude da municipalidade e renunciou ao cargo. No ano seguinte, tentou reeleger-se, mas não alcançou votos suficientes.
Em 1897 mudou-se com a família para Piracicaba, onde viveram por seis anos; ali seus filhos estudaram além da formação mínima oferecida em Itu, na Escola Normal, preparando-se para o magistério. Ele deixou completamente a vereança.




