A música para a Semana Santa
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O período de maior trabalho ao músico daquele tempo era a Semana Santa afinal, do Domingo de Ramos à Páscoa, havia intensa atividade no coro e bandas em procissões, executando obras longas, que exigiam disposição dos intérpretes.
Tristão Mariano escreveu a música para a Procissão de Palmas e missa, os responsórios às Matinas de Quarta-feira Santa, do Ofício de Trevas, o lindíssimo Mandatum Novum, ao Lava-pés e todo o Ofício da Paixão, na sexta-feira santa. Esta música era mais modesta, sem orquestra, somente acompanhada ao harmônio. De todo esse conjunto, somente as músicas do Domingo de Ramos o Coral Vozes de Itu e o Museu da Música ainda não restauraram e inseriram novamente no contexto cultural de nosso tempo.
Vejamos o programa da Semana Santa de 1882, que criava expectativa ao público, como se fossem as récitas de uma cortina lírica: “Hoje começam na Matriz as festas da Semana Santa, constando de missa solene e ofício de Ramos. À tarde, da igreja do Carmo, sairá a procissão do triunfo, percorrendo as ruas de costume.
Quarta-feira santa, na Matriz, ofício de trevas às 6 horas da tarde, sendo cantadas as Matinas de Tristão Mariano.
Quinta-feira santa, pela manhã, missa solene, sendo cantada pela primeira vez a grande missa do Maestro Pacini, obrigado a 3 vozes, soprano, barítono e baixo, com acompanhamento de coro. Tomam parte a exma. Sra. D. Maria Augusta, Antonio de Assis Pacheco e Padre Luciano; Gustavo Dias cantará o “Quoniam” da missa de Rossi; prega a Instituição o Revmo. Pe. M. Graziosi.
À tarde começarão as matinas, música composição do nosso patrício José Mariano, sendo cantado no 7º responsório – Aliéni – do Maestro Elias Lobo. No 5º responsório o Sr. Antonio de Assis Pacheco cantará o solo “Exclamano” – Chamamos a atenção para o solo, no 9º responsório “ó vos omnes” cantado pela exma. Sra. d. Maria Augusta, em que o nosso jovem maestro revelou grande talento nessa composição, pelo sentimento que soube dar à música de harmonia com a letra. No fim das matinas será cantado pela primeira vez o grande Miserere, do Maestro Barbieri. Segue-se o “Lava-pés” e prega o mandato o ilustrado orador P. M. Schetini.
Sexta-feira santa, ofício da Paixão, missa, adoração da Cruz, música de Tristão Mariano, prega a Paixão o P. M. Andreassi.
À tarde, na Igreja do Bom Jesus, terá lugar a imponente cerimônia das Três Horas de Agonia, pregando o R. P. M. Bartolomeu Taddei; finda a cerimônia, sairá da Matriz a procissão do Enterro. As 8 horas da noite sairá da Igreja do Carmo a procissão do Enterro.
Sábado santo, ofício, bênção solene da pia e círio, missa cantada, música de Tristão Mariano e Aleluia de Lambilloti.
Domingo de Páscoa, procissão da Ressurreição, da matriz, no clarear do dia, na entrada da missa cantada”. (Jornal Imprensa Ytuana, 02.04.1882)
Do alto do coro, Tristão e sua orquestra mobilizavam a gente de Itu em momento inigualável na cultura local.

Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica
do Bom Jesus