Domingo de Ramos e  da Paixão do Senhor
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Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen (RS)

Ao iniciarmos a Semana Santa, entramos com Jesus em Jerusalém e em nossa história, carregando em nossas mãos ramos que significam nosso seguimento como discípulos e nossa pertença ao Povo de Deus, que caminha unido, testemunhando a esperança do Reino.
O Domingo de Ramos e da Paixão é um dia de contrastes e vozes diferentes, de entusiasmo e incoerências. Também hoje, dentro e fora de nós, acontecem essas atitudes contraditórias.
Por um lado, queremos seguir e servir a Jesus; por outro, o abandonamos quando a exigência da cruz amorosa nos pede maior doação e entrega.
Vibramos com a purificação do Templo, mas, muitas vezes, buscamos, sem consciência, formas de fé superficial e de barganha, marcadas por expectativas de falsa prosperidade.
As crianças e os jovens de Israel, em sua inocência e pureza, expressam melhor sua adesão a Jesus, reconhecendo nele alguém que transcende interesses e relações de poder, abrindo-nos o caminho para uma vida nova, plena e digna de filhos de Deus.
A Semana Santa, considerada desde sempre como a Semana Maior, revela a misericórdia e a clemência de um Deus que morre em nosso lugar, derramando seu sangue para gerar vida em abundância e oferecer libertação integral a todos.
No coração do Ano Litúrgico, não permaneçamos apenas como espectadores ou turistas espirituais. Somos chamados a mergulhar profundamente, não só nos ritos, mas no itinerário espiritual que nos conduz das trevas à luz, do ódio ao amor, do desespero à esperança, do medo à confiança. Assim, configuramo-nos ao Crucificado, identificando-nos com seus sentimentos, dores e angústias, para, com Ele, vencer a morte.
Caminhemos inseridos em seu Corpo, a Igreja, que nasce do seu coração aberto na cruz. Da forma como vivermos esta semana dependerão a intensidade e a fecundidade da nossa vida interior, do nosso apostolado e do nosso compromisso com os mais pobres.
Morramos com Cristo para ressuscitar com Ele, vivendo uma vida luminosa e fecunda, semeando paz, justiça, bondade e ternura para todas as pessoas e criaturas, sendo sinais vivos da Nova Criação.
Tenhamos o rosto do Ressuscitado e as marcas do Crucificado, promovendo a vida, os direitos sociais — especialmente o direito a uma moradia digna — e a reconciliação entre todos, tornando a terra um lugar acolhedor e fraterno, onde todos os povos sejam uma só família.

Deus seja louvado!