Domingo de Ramos da Paixão do Senhor
Compartilhe

Leituras iniciais do Domingo de Ramos
Sugerimos que antes de lerem estes comentários, façam as leituras na Bíblia

1ª Leitura (Isaias 50,4-7)
Na explicação da primeira leitura da festa do batismo do Senhor, falamos de um
personagem misterioso, que aparece na segunda parte do livro de Isaías. Trata-se do “Servo do Senhor”. Na leitura de hoje, são nos apresentadas as palavras com as quais ele conta a sua vida.
Já há muitos anos o profeta se encontra na Babilônia e com ele vivem, desanimados e desiludidos, os exilados. A estas pessoas desesperançadas ele foi enviado para anunciar uma palavra de consolação (vers.4). Reconhece ter recebido de Deus as qualidades que o tornam apto para esta missão. Está consciente do fato de que não poderá desenvolver sua missão com tranquilidade. Aguarda-o uma forte oposição, uma hostilidade que não se limitará a palavras de ofensa, mas se traduzirá numa agressão física real: cuspirão no seu rosto, será agredido, torturado e flagelado.
Não obstante tudo isso, porém, ele permanecerá fiel ao Senhor e levará a cabo a sua missão em favor dos oprimidos, sempre com a certeza de ter Deus a seu lado.
Este trecho de Isaias nos relembra com certeza o que os soldados de Pilatos fizeram para Jesus (Mt 27,27-31). É ele o “Servo” fiel a Deus que dedicou sua vida inteira à libertação de homens. Mas no que aconteceu a este “Servo” é fácil reconhecer também a história de todo homem que quer anunciar e praticar a justiça.

2ª Leitura (Filipenses 2,6-11)
Paulo amava muito a comunidade de Filipos (na Grécia). Havia ali muitas pessoas simples e generosas às quais era ligado por sólida amizade. Todavia, como acontece até nas mais fervorosas comunidades de hoje, também em Filipos havia o problema da inveja entre os cristãos.
Alguém queria achar-se superior aos demais e pretendia ser nomeado como chefe de algum ministério. Enfim, todos queriam mandar um pouquinho.
Paulo sente, então, a necessidade de recomendar aos filipenses: “Não deveis fazer nada por egoísmo, ou para sentir-vos superiores aos outros, mas cada um de vós, com toda a humildade, considere os outros superiores a vós mesmos, ninguém procure o próprio interesse, mas antes o dos outros (vers.3-4).
Paulo continua a sua exortação apresentando o exemplo de Jesus Cristo, e o faz citando na sua carta um canto bonito (leiam novamente vers.5-11 e meditem sobre sua grandiosidade).
Este canto nos apresenta a pessoa de Jesus e sua vida: Jesus existia na forma divina antes de fazer-se homem; com a encarnação pôs de lado toda a sua grandeza divina e apareceu aos nossos olhos na humildade da fraqueza do homem, do mais desprezado dos homens: o escravo, aquele para quem os romanos reservavam a morte da cruz.
Permitamos que essa imagem de Jesus – humilde servo dos irmãos – penetre nos nossos corações nestes dias em que celebramos o seu rebaixamento mais profundo (a morte) e o ápice da sua glorificação (a ressurreição).