“Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.”(Rm 13,14)

Dom Carlos José
Bispo de Apucarana (PR)
Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo.” (Rm 13,14)
O primeiro Natal foi precedido por um longo tempo de espera!
A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal grandeza que Deus quis prepará-lo durante séculos.
Sacrifícios, ritos e símbolos da “Primeira Aliança”: tudo o Criador fez convergir para Cristo. Anunciada por séculos pela boca dos profetas, a vinda do Messias despertava nos corações — inclusive dos pagãos — uma grande expectativa.
João Batista, o Profeta do Altíssimo, é o precursor imediato do Senhor.
Ele — João — que saúda a vinda de Cristo desde o ventre de sua mãe, inaugura o Evangelho dando testemunho fidedigno d’Aquele que É, que veio e que virá.
A Igreja de Cristo, sabiamente guiada pelo Espírito Santo, ao celebrar a Liturgia do Advento a cada ano, atualiza essa espera do Messias, para que não nos esqueçamos de que Ele saiu do Pai e desceu à terra para viver entre os homens e mulheres do mundo.
Será que paramos para compreender a grandeza dessa verdade?
Jesus, que é Deus, faz-se homem, assume a carne humana, sujeitando-se a tudo o que implica “ser humano” e convivendo com todas as dificuldades da época — dificuldades que hoje, para nós, são quase inimagináveis, pois vivemos num mundo cheio de regalias e facilidades, tendo tudo ao alcance das mãos, dos olhos e dos sentidos.
Ao olharmos ao redor, já vemos tudo enfeitado para o Natal; e o nosso interior, como está?
Com o que estamos preocupados? Como estamos preparando o nosso coração, o nosso íntimo, a nossa casa e a nossa família para vivermos de verdade — e com verdade — o Santo Natal?
Se Jesus viesse para cear conosco no dia 25, estaríamos prontos para recebê-Lo? Será que O reconheceríamos?
A espiritualidade do Advento deve ser vivida como um tempo de preparação, de espera, de oração, de conversão e de caridade, para que estejamos “revestidos de Cristo”, ou seja, para que Ele viva em nós e para que sejamos d’Ele como novas criaturas.
Não fomos feitos para este mundo; tudo isto é passageiro. Somos chamados agora, hoje, a retomar o caminho da fé em Deus Pai Todo-Poderoso.
Esperar pela solenidade do Natal para celebrar com alegria é crer que verdadeiramente Jesus nasceu para nossa salvação.
Esperar Jesus no Natal é reconhecer que Ele é o maior presente que poderíamos receber de Deus.
A oração pessoal, em família e em comunidade — especialmente com a participação na Novena de Natal — é viver a experiência da partilha e da renovação dos dons do Espírito Santo, e crescer na fé, aprendendo com os irmãos e ensinando ao mesmo tempo.
Preparar-se para o Natal também significa fazer um exame de consciência e reconciliar-se com o Senhor. Para isso, nada mais salutar do que procurar o sacramento da Reconciliação: consigo mesmo, com os irmãos e com Cristo, nosso Senhor.
Um coração livre terá mais espaço para Jesus fazer morada.
A caridade natalina também é fruto de um Advento bem vivido.
Tantos têm fartura à mesa durante a ceia e as reuniões, enquanto outros quase nada têm. Partilhar o que se possui agrada a Cristo e faz bem a quem doa.
O caminho do Tempo do Advento é breve; os dias passam depressa. Não deixemos para depois o nosso encontro com o Salvador.
Ele já nasceu — é fato.
Mas deseja ardentemente fixar morada em nosso coração. Que seja agora, neste Natal.
Um frutuoso Tempo de Advento a todos, sob o olhar protetor da Mãe de Jesus, a doce e sempre Virgem Maria!

