O extraordinário mistério de Maria, Mãe de Deus e nossa

A Sarça Ardente, arbusto do solo sagrado, queima sem se consumir (Ex. 3, 1-5)
Minha relação com Nossa Senhora desabrochou, ao longo dos anos. O foco sempre foi Jesus, e as diferentes formas e nomes de Maria apareciam como pano de fundo. Nos anos noventa do século XX – durante uma viagem à Cidade do México com meu grupo de ioga – visitei o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, em companhia de minha mestra de meditação. Fui tocada pela imagem do rosto de Maria – impressa e ainda intacta, desde 1531 – no manto do índio Juan Diego, nesta Catedral.
A relação mais pessoal com Nossa Senhora se fortaleceu, quando vim morar em Itu, trazendo minha mãe muito doente para sua cidade natal. Estando só – num contexto novo e desconhecido – rezei intensamente para a Padroeira desta cidade Tive, então, uma forte experiência da presença de Maria – a mãe de Jesus – me amparando.
Já há alguns anos, a meditação diária da Palavra de Deus vinha jogando luz sobre o mistério do silencioso papel de Maria, Mãe de Deus e nossa. Antes, eu aceitava a história da virgem que concebeu o Filho de Deus – sem muito refletir sobre seu sentido, contestado por muitos que o atribuem a um preconceito sexual. De fato, esta concepção é estranha. No plano humano, as crianças nascem da relação sexual entre um homem e uma mulher. A sexualidade e a reprodução humana sendo atos naturais, não há razão para preconceito a respeito. Por que, então, os profetas bíblicos anunciaram como um sinal de Deus que ‘uma virgem conceberia’ – e os Evangelhos narram que Cristo veio ao mundo por uma virgem?
Meditando sobre o anúncio do anjo à Maria, descobri que a solução do enigma não está no plano humano. Ela depende de uma outra forma de conhecimento que nos dê acesso ao projeto de Deus para a encarnação do Verbo divino e recriação de uma nova humanidade. Se Jesus nascesse pelo processo natural de união sexual de um homem e uma mulher, ele seria apenas um ser humano iluminado que atingiu o estado divino como muitos consideram que era Jesus.
Neste caso, ele não seria o filho de Deus encarnado que nasce de uma mulher por um processo extraordinário, único e diverso do processo natural. Jesus nasceu de uma jovem de 13 anos que – surpresa diante do anúncio que seria a Mãe de Deus – pergunta ao anjo como isto poderia acontecer, se ela não ‘conhecia’ homem algum, ou seja, se ela era virgem.
O anjo enviado lhe explica que isto aconteceria por um outro processo: pela fecundação do Espírito divino. Ao aceitar a proposta de Deus, Maria se torna um ser humano muito especial, portadora do projeto divino para toda humanidade: ela se torna a Mãe de Deus e dá impulso à criação de novos céus e de uma nova terra, unindo estas duas polaridades num só ser admirável: o Filho único de Deus feito homem! Maria é a arca da nova e eterna aliança de Deus com os seres humanos, a porta dos céus.




