33° Domingo do Tempo Comum – Leituras Iniciais
Compartilhe

Coluna organizada por Nilo Pereira, segundo a exegese do Pe. Fernando Armellini, scj

1ª Leitura (Malaquias 3,19-20a)

O profeta Malaquias vive numa época muito difícil para o povo de Israel. Os profetas prometeram aos seus antepassados um futuro maravilhoso, um reino de paz, de bem estar e de justiça. Mas, continuam os roubos, as opressões, as violências contra os fracos.

É neste ponto que começa a nossa leitura. E o que significam as profecias mencionadas? Serão talvez informações sobre aquilo que acontecerá no fim do mundo? Infelizmente também algumas pessoas das comunidades religiosas estão convencidas de que, para colocar um freio à imoralidade avassaladora dos nossos dias, o remédio mais eficaz é levantar a bandeira do espantalho da catástrofe final. Não se pode, porém, tomar por base estas profecias, que têm um sentido completamente diferente.

A “terrível ira de Deus” não significa senão “o Seu imenso amor” que não se desencadeia contra os pecadores, mas contra o pecado. O “fogo” não é dirigido contra o homem, mas contra tudo que destrói o homem: a injustiça, a inveja, os ódios, as violências, a ganância de enriquecer exclusivamente para si.

Quando chegará o dia ardente como uma fornalha, o dilúvio de fogo prometido por Malaquias? Quando aparecerá o sol da justiça e quem é esse sol? O dia do Senhor já chegou, é o dia da morte e ressurreição de Cristo, a sua Páscoa. O sol da justiça é o próprio Cristo, o fogo que destruirá todo o mal já foi aceso: é o Espírito que nos foi enviado por Jesus, é a sua Palavra, o seu Evangelho, que já começou a renovar a face da terra.

 

2ª Leitura (2Tessalonicenses 3,7-12)

Na comunidade de Tessalônica (capital da província romana da Macedônia, região que hoje faz parte da Grécia) estavam sendo difundidos boatos perigosos: alguns cristãos fanáticos afirmavam que este mundo estava quase chegando ao fim e que Jesus estava prestes para dar início a um novo mundo, uma nova humanidade.

Alguns se convenceram que, sendo iminente a volta de Cristo, já não valia a pena continuar trabalhando. A situação se tornava cada vez mais preocupante e escandalosa e Paulo teve que intervir. Embora gostando muito dos tessalonicenses, na última parte de sua carta Paulo os adverte severamente e apresentando o exemplo de sua própria vida, Paulo os lembra de um provérbio popular: “quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer” (vers.10).

Esta independência econômica é motivo de muito orgulho para Paulo que, nas suas cartas volta a esse assunto várias vezes. Aos anciões de Éfeso diz: “nunca desejei ouro nem prata ou roupas de ninguém; vós mesmos sabeis que estas mãos proveram as minhas necessidades e as dos meus companheiros” (Atos 20,33-34).

Pode alguém que não trabalha ser um bom cristão? O Reino de Deus, o “mundo novo” pode ser construído por quem não trabalha?