2 de Fevereiro, uma data providencial

Queridos leitores e leitoras: quarenta dias depois de ter celebrado o Natal, a Igreja celebra, no dia 2 de fevereiro, a Festa da Apresentação do Senhor no Templo. Essa data lembra, na Liturgia, o cumprimento, por Maria e José, de um preceito hebraico. Quarenta dias após dar à luz, a mãe deveria passar por um ritual de “purificação” e apresentar o filho ao Senhor, no templo. Desde o século quarto, essa festa era chamada de “Purificação de Maria”. Com a reforma litúrgica, passou-se a valorizar o sentido da “apresentação”, como oferta de Jesus ao Pai, para que seu projeto de ser o Salvador da humanidade se cumprisse. Essa data passou a ser lembrada, a partir de então, como a da “Apresentação do Senhor”.
Em 534, a festa estendeu-se a Constantinopla e, no tempo do Papa Sérgio, no século VII, chegou a Roma e ao Ocidente. Em Roma, a festa incluía uma procissão até a Basílica de Santa Maria Maior. No século X, começaram a benzer-se as velas. A importância do tema da “luz”, com a bênção das velas, tornou-a conhecida como a festa de Nossa Senhora das Candeias, da Candelária ou da Luz. O menino Jesus, apresentado no templo de Jerusalém por Maria e José, foi reconhecido por Simeão, que o tomou nos braços, como “luz para iluminar as nações” (Lc 2, 32). O louvor e a alegria de Simeão se prolongam na Igreja que continua a proclamar que Jesus é a luz para todas as nações. Também Ana, profetisa de idade avançada, “tendo chegado naquela hora, louvava a Deus e falava do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém” (Lc 2,38). Nós repetimos o gesto de Simeão e Ana, contemplando com o olhar da fé aquele que vem para salvar a todos os povos e acolhendo-o como a luz do mundo.
Passados os anos, conta-se que, por volta de 1440, dois pastores guardavam seus animais perto de uma caverna na ilha de Tenerife, nas Canárias, (hoje pertencente à Espanha), e observaram, certo dia, que o gado se recusava a entrar na caverna, apesar de seus esforços. Os pastores entraram então na gruta e descobriram a imagem de uma Senhora com o filho no colo. Estranhando o ocorrido, foram relatar ao povo. Chegando ao local, todos, inclusive o rei do país, observaram maravilhados a existência de numerosas candeias (velas) sustentadas por seres invisíveis que, com seus cânticos, ensinavam a maneira de render culto a Deus e a Virgem Maria. Começaram os nativos a honrar aquela que amavam sem conhecer, até que um cristão espanhol, casualmente, ali desembarcou nos fins do século XV e explicou-lhes o mistério. Pouco depois, as ilhas foram conquistadas pelos castelhanos (espanhóis) e, quando os padres jesuítas chegaram, não tiveram trabalho em converter aquele povo já tão devoto de Maria, a quem deram o título de Candelária, por causa das candeias que iluminavam a imagem.
Pois bem, a data de dois de fevereiro coincide com o marco da fundação da cidade de Itu, já que nela se deu a construção, em 1610, de uma capela devotada a Nossa Senhora da Candelária, no lugar em que hoje fica a Igreja do Bom Jesus. Esta capela foi construída por Domingos Fernandes e seu genro, Cristóvão Diniz. Eles receberam, em 1604, a posse das terras dos campos do Pirapitingui. Assim, em dois de fevereiro, adotou-se o dia com data de aniversário de Itu, por coincidir com o dia de Nossa Senhora da Candelária.
Percebemos, em todas essas histórias e “coincidências”, a mão protetora da Divina Providência a esse estimado povo de Itu, que sempre se distinguiu por seu patriotismo e civismo, pelo seu profundo sentimento religioso, cultural e político. Itu, “a Roma Brasileira”, “A Fidelíssima”, “Terra da Convenção”, a oitava cidade do Estado de São Paulo. Viu também nascer o primeiro presidente civil do Brasil: Prudente de Moraes. Eram também ituanos: Regente Feijó, Paula Souza, o pintor Almeida Júnior, Elias Lobo e tantos outros. Itu acolheu a Venerável Madre Maria Teodora Voiron, que em 15 de junho de 1859 chegava nessa cidade para fundar a Província Brasileira da Congregação das Irmãs de São José de Chambéry. Essa terra viu nascer também Padre Antonio Pacheco da Silva e Padre Bento Dias Pacheco (ambos dedicaram suas vidas aos leprosos), assim também viu nascer o Servo de Deus Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, primeiro Bispo da Diocese de Jundiaí.
Por tudo isso:
Viva Jesus Cristo, luz das nações!
Viva a Virgem da Candelária!
Vivam Itu e os ituanos!
A todos abençoo.
Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano




