26º Domingo do  Tempo Comum
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Diác. Bartolomeu de Almeida Lopes
Paróquia São Judas Tadeu

“Em verdade vos digo,que os cobradores de impostos as prostitutasvos precedem no Reino de Deus.”

Evangelho (Mt 21,28-32)

Irmãos e irmãs, no Evangelho de hoje, Jesus nos apresenta uma cena simples: um pai chama seus dois filhos para trabalhar na vinha. O primeiro responde que não irá, mas depois se arrepende e vai. O segundo promete que irá, mas não cumpre a palavra. Ao perguntar qual deles fez a vontade do pai, Jesus nos convida a olhar além das respostas e a examinar nossas atitudes.
A parábola foi dirigida aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo. Eles conheciam a Lei e tinham palavras para falar de Deus, mas resistiram ao chamado à conversão anunciado por João Batista. Já os cobradores de impostos e as prostitutas, desprezados pela sociedade, acolheram esse chamado. Jesus não elogia seus erros nem despreza a fidelidade religiosa. Ele anuncia que ninguém está excluído da misericórdia: quem se arrepende pode recomeçar e caminhar em direção ao Pai.
Também nós podemos reconhecer os dois filhos dentro de nós. Quantas vezes dizemos “sim” na oração e, ao sair da igreja, deixamos para depois a reconciliação, a visita a quem sofre ou o serviço de que a comunidade precisa? E quantas vezes, depois de resistir por medo, cansaço ou comodismo, mudamos de ideia e damos um passo concreto? O Senhor conhece nossa fragilidade e continua a nos chamar.
Trabalhar na vinha não significa buscar destaque, competir por funções ou provar que somos melhores. Significa colocar os dons a serviço dos irmãos, escutar quem pensa de modo diferente e colaborar para que a comunidade seja lugar de acolhimento. A obediência que Jesus pede nasce do amor e se torna visível nos gestos cotidianos: uma palavra que consola, uma tarefa assumida com responsabilidade, um perdão oferecido sem demora.
Para escutar esse chamado, precisamos reservar tempo à Palavra de Deus. Em meio ao barulho e às pressas, a oração abre espaço para que o Evangelho alcance o coração. Ler, meditar e voltar ao texto nos ajuda a perceber onde temos respondido apenas com os lábios e onde o Senhor espera uma decisão. Não é preciso começar com grandes promessas. Podemos começar hoje, com um gesto fiel e possível.
Neste mês dedicado à Bíblia, assumamos um compromisso: escolher uma passagem do Evangelho, lê-la com calma e perguntar: “Senhor, o que desejas de mim hoje?” A resposta pode vir no silêncio, mas precisa encontrar lugar em nossas escolhas, diante de quem necessita de nós.
A esperança cristã cresce quando acreditamos que a conversão é possível. O primeiro filho mudou de caminho; nós também podemos mudar. Nenhum erro precisa ter a última palavra sobre nossa vida. Em Cristo, que nos revela o amor do Pai, encontramos a força para levantar, reconhecer nossas faltas e retomar o serviço.
Peçamos, portanto, a graça de uma fé que não fique só nas intenções. Que nossa resposta ao Pai apareça em nossa casa, no trabalho e na comunidade. E que, ao abrir a Bíblia, também abramos a vida ao que ela nos pede. A vinha nos espera. Hoje, mais do que dizer “sim”, somos chamados a ir.