A mangueira missionária!
Era o entardecer de 5 de setembro de 2016, coincidentemente o dia da canonização de Madre Teresa de Calcutá. A frondosa árvore, com seus 166 anos de fecunda existência, prostrava-se ao solo em sua definitiva agonia. A “Mangueira do Colégio do Patrocínio” cumprira sua missão.
Em sua jornada terrena, dera frutos saborosos e acolhera as aves que, em seus galhos, construíram seus ninhos. Sob seu manto protetor, abrigara milhares de crianças felizes, jovens esperançosos e adultos agradecidos. Sob sua sombra hospitaleira, a árvore contemporânea de Madre Teodora Voiron fizera-se missionária e discreta confidente. Exercera, em seu silêncio, a verdadeira “Pastoral da Escuta”, guardando segredos de confessionário.
Quantas irmãs piedosamente meditaram sob sua guarda! Muitas delas manifestaram gratidão imorredoura pela beleza da vida abençoada do claustro. Algumas abriram o coração para expor suas angústias e decidir se dariam ou não continuidade à vocação religiosa. Há uma multiplicidade de dons, mas o Espírito é o mesmo!
A Mangueira do Colégio do Patrocínio nunca abdicou de seu silêncio. Era uma espécie de antessala do sacrário, onde residiam o conforto da esperança, a renovação das certezas e o beneplácito das bênçãos emanadas do Deus Onipotente.
Até em seu derradeiro instante, ela foi mãe abençoada. Tombou na hora vespertina, sem ferir os seres viventes que diariamente buscavam seu colo amoroso. Em vida, jamais feriu. Não seria no momento derradeiro da despedida que provocaria algum acidente. Por isso, encerrou seu ciclo de repente, na solidão consciente da missão consumada.
Ela se foi, deixando mais que saudade. Seu legado é transcendental e repleto de lições. Além dos frutos doces, deixou a mensagem de uma silenciosa compreensão das dores humanas e de um íntimo compartilhamento das alegrias benfazejas daqueles que vivem a entrega ao Senhor em gestos inconfundíveis de amor.
A Mangueira do Bem escolheu as vésperas da primavera para concluir seu inverno temporal. Compreendamos sua última mensagem. E bendigamos a Deus!
Lázaro José Piunti
Itu-SP




